Qual é o endividamento médio das famílias brasileiras — e de onde vem essa dívida?

Publicado por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 06/10/2025

Endividamento segue em alta no país

O endividamento das famílias brasileiras segue em trajetória crescente e já atinge 78,4% dos lares, de acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Esse é o quinto mês consecutivo de alta no indicador, o que mostra como o crédito continua sendo uma saída usada por grande parte da população para lidar com o custo de vida elevado e o enfraquecimento da renda.

Em paralelo, o nível de inadimplência também preocupa. Em agosto de 2025, 30,4% das famílias relataram ter contas em atraso — o maior patamar da série histórica da pesquisa da CNC. O dado mostra que, embora o acesso ao crédito tenha se ampliado, o controle sobre as dívidas ainda é um desafio para muitos brasileiros.


Cartão de crédito é o principal vilão

Entre as modalidades de endividamento, o cartão de crédito lidera com folga. É a forma de crédito mais utilizada pelas famílias, mas também a mais cara. A taxa média de juros do rotativo ultrapassa 429% ao ano, segundo levantamento do Banco Central divulgado pela Agência Brasil. O parcelamento de faturas e o uso do rotativo têm levado milhões de consumidores a um ciclo de endividamento contínuo.

Além do cartão, outras modalidades também pesam no bolso: empréstimos pessoais e consignados, usados para cobrir despesas emergenciais; crediário e carnês no comércio; financiamentos de veículos e imóveis; e o cheque especial, que segue entre os créditos mais caros do mercado.


Causas do avanço das dívidas

A combinação de juros elevados, inflação persistente e renda estagnada explica boa parte do aumento no endividamento. A população gasta mais para manter o padrão de vida, recorre com frequência ao crédito e enfrenta dificuldades para equilibrar o orçamento mensal.

Outro fator relevante é a facilidade de acesso ao crédito digital, que ampliou o número de consumidores endividados. Em muitos casos, o uso impulsivo de aplicativos e cartões sem planejamento financeiro tem levado famílias a comprometer boa parte da renda com dívidas de curto prazo.


Conclusão

O Brasil vive um momento de forte pressão financeira sobre as famílias. Mais de três em cada quatro lares convivem com algum tipo de dívida, e em quase um terço deles já há contas em atraso. A maior parte desse endividamento está concentrada em linhas de crédito caras e de fácil acesso, como o cartão e o cheque especial, o que amplia o risco de inadimplência.

A falta de planejamento e de reserva de emergência continua sendo um dos principais gatilhos desse cenário. Evitar o uso excessivo do crédito, buscar renegociações e adotar uma rotina de controle financeiro são medidas essenciais para quem deseja sair da estatística e reconstruir a estabilidade financeira.


Fontes: