Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 19 de novembro de 2025

A liquidação extrajudicial voltou ao centro do debate após o Banco Central decretar o encerramento das atividades do Banco Master, citando deterioração econômico-financeira e ausência de um plano viável de recuperação. A decisão reacendeu uma pergunta essencial: quando e por que o BC pode liquidar uma instituição financeira no Brasil?
O poder do Banco Central em situações críticas
O Banco Central é responsável por regular, supervisionar e garantir a solidez do Sistema Financeiro Nacional. Isso significa que ele deve agir sempre que uma instituição apresenta sinais de insolvência, riscos graves ao patrimônio dos clientes, descumprimento de normas ou incapacidade de honrar compromissos. Quando esses problemas se tornam irreversíveis, o BC utiliza o regime de resolução, previsto na Lei 6.024/1974, que autoriza a intervenção direta ou a liquidação extrajudicial.
Quando ocorre a liquidação extrajudicial
A liquidação é decretada quando a instituição perde sua capacidade de funcionamento e não há alternativa de recuperação. No caso do Banco Master, o BC afirmou que não existia um plano capaz de reverter o comprometimento financeiro do conglomerado, cenário que configurou insolvência irrecuperável. A medida determina o encerramento das operações, a nomeação de um liquidante e o início de um processo organizado de retirada da instituição do mercado.
A partir desse momento, obrigações vencidas têm sua exigibilidade suspensa, os prazos de contratos deixam de correr, depósitos ficam temporariamente indisponíveis e os administradores passam a ter seus bens bloqueados até a apuração das responsabilidades. O foco passa a ser preservar o sistema financeiro e proteger os clientes, dentro dos limites de garantia estabelecidos por lei.
O papel do FGC e o caso Master como exemplo
Com a liquidação decretada, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) assume a responsabilidade de ressarcir os credores elegíveis, como correntistas e investidores cobertos pela garantia. No episódio do Banco Master, o FGC aguarda o envio da base completa de credores para iniciar o pagamento, procedimento padrão que costuma levar algumas semanas. O caso se tornou um exemplo recente de como funciona a engrenagem de proteção do sistema financeiro: uma instituição quebra, o BC decreta a liquidação, o FGC organiza o reembolso e o mercado absorve o impacto de forma controlada.
Visão Bolso do Investidor
O episódio do Banco Master reforça uma lição central para o investidor brasileiro: mesmo com um sistema financeiro robusto e bem regulado, nenhum banco está imune a falhas internas de gestão, riscos de crédito ou descasamentos financeiros. Diversificar instituições, respeitar limites do FGC e acompanhar a saúde financeira do banco onde você investe não é exagero — é prudência. O caso também evidencia como o BC e o FGC atuam para evitar crises sistêmicas e proteger o investidor comum, garantindo previsibilidade em momentos de turbulência.
Fontes: Estadão; Banco Central do Brasil
