Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 02/10/2025

A Petrobras vive um momento de atenção redobrada no mercado. A queda nos preços do petróleo, combinada com um ritmo forte de investimentos e incertezas ligadas ao cenário político, vem influenciando diretamente as expectativas para o pagamento de dividendos da estatal. Ao mesmo tempo em que as projeções para este ano são menores do que as de 2024, o debate sobre os proventos futuros ganhou mais força diante da proximidade das eleições de 2026.
Pressão do petróleo e cenário internacional
Em 2025, o preço do petróleo recuou cerca de 12%, pressionado pelo aumento da produção da Opep+. O barril do Brent chegou a ser negociado próximo de US$ 66, refletindo o excesso de oferta no mercado internacional. Esse movimento preocupa analistas, que destacam que a pressão sobre as cotações pode continuar no médio prazo, reduzindo a capacidade da Petrobras de gerar caixa e, consequentemente, afetando os dividendos.
Além disso, fatores geopolíticos, como a guerra em Gaza, contribuem para ampliar a instabilidade, adicionando riscos à evolução da commodity no mercado global.
Capex elevado reduz espaço para dividendos
Outro fator que limita os pagamentos aos acionistas é o volume de investimentos. Apenas no segundo trimestre de 2025, a Petrobras registrou capex de R$ 23,1 bilhões (cerca de US$ 8,4 bilhões). Esse número surpreendeu o mercado por ficar acima das projeções iniciais, e impactou diretamente o fluxo de caixa livre da companhia.
Com mais recursos sendo destinados a projetos de expansão e manutenção, sobra menos espaço para dividendos. A companhia, no entanto, já sinalizou que pretende apresentar em novembro o seu novo plano de negócios para o período de 2026 a 2030, que prevê economia de US$ 8 bilhões em custos nesse intervalo. A expectativa é de que esse movimento crie condições mais favoráveis para a distribuição de lucros no médio prazo.
Quanto a Petrobras deve pagar em 2025
Segundo estimativas, a Petrobras deve distribuir no segundo semestre R$ 1,56 por ação, sendo R$ 1,05 em juros sobre capital próprio (JCP) e R$ 0,50 em dividendos. Considerando esses números, o dividend yield projetado é de 4,91% no período.
No acumulado de 2025, as projeções apontam para um dividend yield próximo de 10%, valor bem abaixo dos 20% pagos em 2024, quando a estatal desembolsou cerca de R$ 84 bilhões em proventos. Analistas destacam que, diferentemente do ano passado, não há expectativa de pagamentos extraordinários até o final deste ano.
Olho em 2026 e no cenário eleitoral
As eleições presidenciais de 2026 também entraram no radar dos investidores. Se houver manutenção do atual cenário político, espera-se que a Petrobras continue priorizando investimentos elevados, o que tende a limitar a distribuição de dividendos. Já em caso de mudança de governo, analistas avaliam que a empresa poderia rever seu plano estratégico, cortando investimentos, vendendo ativos e, consequentemente, liberando mais caixa para pagamentos aos acionistas.
Projeções da Ágora, por exemplo, indicam que, em um ambiente mais favorável, a Petrobras poderia distribuir cerca de US$ 10 bilhões por ano nos próximos cinco anos, garantindo um dividend yield estimado em torno de 12% nesse período.
Petrobras segue atrativa?
Apesar das incertezas, a estatal continua chamando a atenção de parte do mercado. Com múltiplos considerados descontados — P/L em 4,4 vezes e EV/EBITDA em 2,6 vezes —, a empresa negocia a preços que refletem o risco percebido pelos investidores. Mesmo em um cenário de petróleo mais fraco e capex elevado, há quem projete que a companhia consiga sustentar uma remuneração próxima de 10% ao ano, patamar ainda visto como relevante na bolsa brasileira.
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