Quanto a Petrobras deve pagar em dividendos até o fim do ano — e o que isso significa para o investidor

Publicado por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação:
01/10/2025


Projeção de proventos para o segundo semestre

As estimativas para o segundo semestre de 2025 apontam que a Petrobras deve distribuir cerca de R$ 1,56 por ação em proventos, sendo R$ 1,05 em juros sobre capital próprio (JCP) e R$ 0,50 em dividendos clássicos. Esse montante corresponde a um dividend yield aproximado de 4,9% no período.

Na prática, quem tiver R$ 10 mil investidos em ações da Petrobras pode receber algo em torno de R$ 490 apenas em proventos neste semestre, caso as projeções se confirmem.

No acumulado de 2025, a expectativa é de um dividend yield em torno de 10%, abaixo dos 20% registrados em 2024, quando a estatal distribuiu aproximadamente R$ 84 bilhões aos acionistas. Para este ano, não há expectativa de dividendos extraordinários.


Cronograma de pagamentos já iniciado

A Petrobras já efetuou dois pagamentos neste segundo semestre:

  • 20 de agosto: primeira parcela, no valor de R$ 0,45 por ação, via JCP.
  • 22 de setembro: segunda parcela, totalizando R$ 11,7 bilhões, sendo R$ 0,30 por ação em dividendos e R$ 0,14 por ação em JCP.

Os dividendos são isentos de Imposto de Renda para o investidor, enquanto o JCP sofre tributação de 15% retida na fonte.


Sustentabilidade da política de dividendos

A estratégia da Petrobras é distribuir parte relevante de seu fluxo de caixa aos acionistas, mas isso depende de variáveis externas e internas:

  • Preço do petróleo: oscilações no barril impactam diretamente a geração de caixa.
  • Capex elevado: a necessidade de investimentos em exploração e produção pode reduzir o espaço para proventos robustos.
  • Ambiente político e regulatório: alterações na política energética e tributária podem mudar as regras do jogo.
  • Cenário macroeconômico global: juros, câmbio e demanda internacional afetam tanto receitas quanto custos.

Analistas de grandes casas projetam que a política atual pode ser sustentável por mais alguns anos, mas com dividend yields menores que os registrados em 2022 e 2023, quando a estatal figurou entre as maiores pagadoras do mundo.


O que isso significa para o investidor

Mesmo com dividendos projetados em níveis inferiores aos de anos anteriores, a Petrobras continua entre as empresas de maior atratividade para quem busca renda passiva no Brasil. Um yield na casa de 10% ainda supera boa parte das aplicações de renda fixa.

Por outro lado, investir na estatal exige cautela: a dependência dos preços internacionais de petróleo, o peso das decisões políticas e o alto nível de investimentos necessários tornam a previsibilidade dos proventos limitada.

Para o investidor de longo prazo, os dividendos podem ser um atrativo relevante, mas o ideal é que a decisão de entrada também leve em conta o perfil de risco e a diversificação da carteira.


Fonte: InfoMoney