Quanto você teria hoje se tivesse investido no Banco do Brasil (BBAS3) há um ano?

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 22 de dezembro de 2025

O Banco do Brasil (BBAS3) é uma das instituições financeiras mais tradicionais do país, com atuação relevante em crédito, varejo bancário, agronegócio, comércio exterior e serviços financeiros. Para muitos investidores, o papel sempre esteve associado à geração recorrente de caixa e ao pagamento consistente de dividendos e juros sobre capital próprio, características que reforçam seu perfil de renda no longo prazo.

Apesar disso, o desempenho das ações ao longo dos últimos 12 meses não refletiu essa previsibilidade. O papel sofreu pressão em meio a preocupações com o aumento do risco percebido em estatais e com renegociações de dívidas no setor agropecuário, segmento em que o banco tem forte exposição.

Segundo Luiz Barsi Neto, da Barsi Investimentos, parte do mercado precifica o risco de o Banco do Brasil ser eventualmente utilizado para apoiar empresas controladas pelo Estado, o que contribuiu para a queda das cotações. Ainda assim, ele avalia que preços próximos de R$ 22 tornam o papel atrativo quando comparado ao valor patrimonial, especialmente para investidores focados em renda.

Desempenho das ações nos últimos 12 meses

Em 12 de dezembro de 2024, as ações do BBAS3 eram negociadas a R$ 24,81. Um ano depois, em 12 de dezembro de 2025, o papel fechou a R$ 21,57, acumulando desvalorização de 13,1% no período. Nesta segunda-feira (22), por volta do meio-dia, as ações operavam em torno de R$ 21,43.

Um investidor que tivesse aplicado R$ 10 mil em BBAS3 há um ano teria comprado cerca de 403 ações. Considerando a cotação atual, esse volume teria valor de mercado aproximado de R$ 8.696. No mesmo período, o banco distribuiu cerca de R$ 1,18 por ação em dividendos e JCP, totalizando aproximadamente R$ 476 em proventos.

Somando cotação e rendimentos, o investimento teria alcançado cerca de R$ 9.172, o que representa uma perda de aproximadamente 8,3% no período.

Em valores maiores, o resultado percentual se manteve:

  • R$ 20 mil investidos → cerca de R$ 18.343 após dividendos
  • R$ 30 mil investidos → cerca de R$ 27.515 ao fim de 12 meses

Em todos os casos, os dividendos ajudaram a reduzir o impacto da queda do preço das ações, mas não foram suficientes para eliminar o prejuízo.

Proventos amorteceram, mas não neutralizaram as perdas

Os dados mostram que a política de distribuição do Banco do Brasil funcionou como um amortecedor, mas o desempenho negativo das ações prevaleceu no intervalo analisado. O caso reforça que, mesmo em empresas tradicionalmente associadas à renda, variações de preço e riscos específicos, como o controle estatal, podem pesar de forma relevante no retorno total.

Visão Bolso do Investidor

O desempenho recente do BBAS3 evidencia um ponto central da educação financeira: dividendos não eliminam risco. Eles ajudam a suavizar oscilações, mas não substituem a análise do cenário macroeconômico, da governança e do perfil de risco do ativo. Para investidores de longo prazo focados em renda, o Banco do Brasil segue no radar de parte do mercado. Ainda assim, a decisão de investir deve considerar não apenas o histórico de proventos, mas também os riscos inerentes ao controle estatal e às mudanças no ambiente econômico.

Fontes: Infomoney