Quatro ações disparam mais de 100% e lideram o rali da Bolsa em 2025

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 5 de novembro de 2025

Ano histórico para o Ibovespa
O Ibovespa consolida em 2025 um dos ciclos mais expressivos da Bolsa brasileira na última década. O principal índice da B3 ultrapassou pela primeira vez a marca simbólica dos 150 mil pontos, sustentado por uma combinação de fatores que reacendeu o apetite dos investidores, como a expectativa de corte de juros, melhora das perspectivas econômicas e fluxo crescente de capital estrangeiro. No acumulado do ano, o índice sobe mais de 25%, impulsionado especialmente por companhias voltadas ao mercado doméstico.

Empresas que mais se destacaram no ano
Entre as ações que mais contribuíram para o avanço do índice, quatro papéis se destacam com ganhos superiores a 100%: Cogna (COGN3), Cury (CURY3), Direcional (DIRR3) e C&A (CEAB3). O desempenho dessas empresas reflete a retomada de setores diretamente ligados à economia interna — como educação, construção civil e varejo — e mostra o retorno do investidor ao mercado de ações em busca de valorização.

A Cogna é o grande destaque do ano, com alta de 254,28%, resultado da reestruturação operacional e da retomada do ensino privado. Cury e Direcional surfam o bom momento do setor imobiliário, impulsionado pela ampliação do crédito e pela estabilidade do emprego. Já a C&A mostra forte recuperação após anos de resultados pressionados, beneficiando-se da melhora gradual do consumo das famílias.

Análise técnica da Cogna (COGN3)
A Cogna mantém uma estrutura de alta consolidada, com topos e fundos ascendentes e suporte técnico nas médias móveis de 9 e 21 períodos. O ativo fechou a última sessão próximo à máxima do ano, em R$ 3,80, acumulando valorização de 254% no ano. Apesar de o IFR indicar sobrecompra, a tendência segue positiva, com espaço para continuidade do movimento ascendente no médio prazo.

Análise técnica da Cury (CURY3)
A Cury acumula 114,13% de alta em 2025, sustentada pela força do setor imobiliário e pela performance consistente da empresa no segmento de baixa renda. O ativo opera em tendência primária de alta, com suporte nas médias móveis e resistência na região de R$ 35,31. O IFR em 72 pontos sugere leve sobrecompra, o que pode gerar consolidação lateral antes de novas altas.

Análise técnica da Direcional (DIRR3)
A Direcional Engenharia mantém uma valorização de 112,31% no ano, apoiada pelo bom momento do crédito imobiliário e pelo avanço das margens operacionais. O papel se mantém acima dos suportes técnicos e segue em tendência de alta, com máxima recente em R$ 17,20. Mesmo com o IFR em região de sobrecompra, o viés técnico ainda é construtivo, com expectativa de continuidade no médio prazo.

Análise técnica da C&A (CEAB3)
A C&A Modas acumula alta de 106,59% em 2025, apesar da correção dos últimos meses. Após atingir a máxima histórica de R$ 21,30 em julho, o ativo entrou em fase de consolidação, operando agora entre R$ 14,72 e R$ 16,30. O IFR em 44 pontos indica neutralidade, o que pode anteceder uma retomada de força compradora caso o papel rompa resistências importantes.

Contexto de mercado e seletividade dos investidores
O desempenho dessas ações ilustra a volta da confiança na Bolsa brasileira, mas também evidencia maior seletividade por parte dos investidores. As empresas que mais subiram em 2025 têm em comum balanços sólidos, boa gestão e foco em setores que se beneficiam do ciclo interno de crescimento. Para analistas, o movimento reforça uma rotação setorial em direção a companhias de valor (value stocks), em contraste com a dominância das empresas de crescimento observada nos últimos anos.

Visão Bolso do Investidor
O rali de 2025 mostra a força do mercado acionário brasileiro em um cenário de juros ainda elevados, mas com perspectiva de flexibilização monetária à frente. Para o investidor, o momento é de atenção à qualidade dos fundamentos das empresas, especialmente em setores cíclicos como construção, varejo e educação. A alta expressiva dessas ações serve como lembrete de que as maiores oportunidades da Bolsa costumam surgir nos períodos de incerteza, quando o mercado ainda precifica o risco antes da virada do ciclo econômico.Fontes: InfoMoney; Bloomberg; Estadão; Reuters; O Globo.