Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 9 de fevereiro de 2026

A perspectiva de início do ciclo de cortes da taxa básica de juros voltou ao centro das atenções do mercado financeiro. Após meses de política monetária restritiva, o Banco Central do Brasil sinalizou que poderá iniciar a flexibilização já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), movimento que reacendeu dúvidas sobre os impactos para ativos de crédito e renda fixa.
Economistas e operadores de juros passaram a precificar um primeiro corte de 0,50 ponto percentual na Selic em março, com a taxa encerrando 2026 próxima de 12%. As projeções oficiais indicam inflação controlada, com o IPCA estimado em torno de 3,4% no fim de 2026 e 3,2% em 2027, dentro da meta estabelecida.
Juros altos impulsionaram o crédito
O período recente de juros elevados ajudou a atrair forte fluxo para produtos de renda fixa e crédito privado. O ambiente de retorno real elevado, câmbio mais favorável e inflação em desaceleração estimulou emissões recordes no mercado de capitais.
Entre 2021 e 2023, as captações anuais de títulos de crédito giravam em média em torno de R$ 428 bilhões. Em 2024 e 2025, esse volume ultrapassou R$ 700 bilhões por ano, impulsionado principalmente por debêntures e FIDCs, enquanto CRIs e CRAs sofreram com mudanças regulatórias.
Fundos de renda fixa também concentraram captações relevantes. Em 2024, atraíram cerca de R$ 258 bilhões líquidos, e em 2025 mantiveram saldo positivo, enquanto outras classes, como ações e multimercados, registraram resgates. Os fundos com foco em crédito ampliaram o patrimônio de R$ 3,3 trilhões para R$ 3,9 trilhões no período.
O que muda com a Selic em queda
Com a expectativa de juros mais baixos, parte do mercado avalia que os fluxos podem migrar gradualmente para ativos de maior risco, como bolsa e fundos multimercado, reduzindo o ritmo de crescimento do crédito privado. Ainda assim, a curva de juros segue indicando taxas elevadas por mais tempo, próximas de 12% nos próximos anos, o que mantém a atratividade relativa da renda fixa.
Especialistas destacam que não há, por ora, sinal de queda abrupta capaz de provocar grandes resgates ou vendas generalizadas de papéis de crédito. O cenário base aponta para uma desaceleração no ritmo de captação, e não para uma reversão estrutural.
Além disso, eventuais correções podem ocorrer em prêmios de crédito, com aumento de spreads e maior volatilidade, especialmente após períodos de compressão excessiva de taxas.
Cenário macro ainda sustenta a renda fixa
A combinação de crescimento econômico moderado, inflação sob controle e juros reais ainda positivos tende a continuar sustentando a demanda por instrumentos de crédito. Mesmo com cortes graduais, a renda fixa brasileira segue oferecendo retornos competitivos em comparação ao internacional.
O fortalecimento do mercado de capitais nos últimos anos também é visto como um movimento estrutural, que ampliou o papel de debêntures, FIDCs e fundos de crédito no financiamento das empresas.
Visão Bolso do Investidor
A queda da Selic tende a reduzir o retorno nominal da renda fixa, mas não elimina sua relevância no portfólio. Para o investidor, o momento pode exigir mais seletividade: avaliar qualidade de crédito, prazos e spreads passa a ser essencial. Enquanto a renda fixa perde parte do protagonismo, ativos de risco podem ganhar espaço gradualmente. A estratégia mais eficiente tende a combinar diversificação, equilíbrio entre classes e ajustes progressivos, em vez de movimentos bruscos entre crédito e bolsa.
Fontes: Estadão Conteúdo; InfoMoney
