Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 04 de dezembro de 2025

O Grupo QuintoAndar reforçou que continuará investindo de maneira robusta na área de compra e venda de imóveis, mesmo em um momento em que o aluguel se destaca como a principal forma de moradia no Brasil. A estratégia foi detalhada por executivos da empresa em encontro exclusivo com a imprensa realizado na última quarta-feira.
Apesar dos juros elevados e do crédito imobiliário mais restrito, o movimento tem se mostrado eficiente. Outubro se tornou o melhor mês da história do QuintoAndar, reunindo dois recordes simultâneos: dezesseis mil novos contratos de locação e duas vírgula seis mil transações de compra e venda de imóveis. O desempenho contraria o ritmo do setor como um todo, que enfrenta desaceleração devido ao encarecimento do financiamento.
Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança, o volume financiado pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo caiu dezessete vírgula sete por cento em outubro na comparação anual, somando catorze vírgula oito bilhões de reais. Entre janeiro e outubro de 2025, o montante financiado alcançou cento e vinte e sete vírgula oito bilhões de reais, queda de dezessete vírgula um por cento sobre o mesmo período do ano anterior. Mesmo assim, o QuintoAndar ampliou sua participação por meio de um modelo que combina locação, compra e venda e marketplace integrado com outras imobiliárias.
Outro vetor que fortalece a estratégia da empresa é o avanço do consórcio imobiliário lançado em agosto. As adesões cresceram cerca de trinta por cento no mês, acompanhando o desempenho recorde do setor em 2025. Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios mostram que o número de participantes ativos em grupos de imóveis chegou a dois vírgula seis milhões em outubro, alta anualizada de vinte e oito por cento.
Para Thiago Bernardes, head de vendas do QuintoAndar, não há conflito entre as frentes de atuação. Segundo ele, os produtos da empresa funcionam de forma complementar ao aumentar a liquidez dos mercados de locação, compra e venda e ao conectar imobiliárias parceiras na plataforma. A proposta é criar um ecossistema capaz de atender tanto quem deseja alugar quanto quem planeja adquirir um imóvel no curto ou no longo prazo.
O comportamento do consumidor também ajuda a explicar a estratégia. O estudo “Retratos do morar”, desenvolvido pelo QuintoAndar em parceria com a Ipsos-Ipec, mostra que quatro em cada dez brasileiros têm intenção de comprar um imóvel. O desejo é ainda mais forte entre os jovens da geração Z, embora sesenta por cento desse grupo afirmem que só conseguiriam realizar o plano após pelo menos um ano, evidenciando uma jornada mais longa até a casa própria.
Enquanto isso, o mercado de locação segue se expandindo rapidamente. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE registrou um aumento de quarenta e cinco vírgula quatro por cento no número de brasileiros vivendo de aluguel nos últimos oito anos. A participação de famílias que moram em imóvel próprio diminuiu de setenta e três por cento em 2016 para sessenta e sete vírgula seis por cento em 2024. No mesmo período, o percentual de pessoas que pagam aluguel subiu de dezoito vírgula quatro por cento para vinte e três por cento.
Os dados reforçam que, embora o ideal da casa própria permaneça culturalmente forte, a realidade econômica tem empurrado cada vez mais brasileiros para o aluguel. Nesse cenário, o QuintoAndar busca se posicionar em todas as etapas da jornada imobiliária, ampliando produtos, serviços e conexões com parceiros para capturar demanda tanto no mercado atual quanto no movimento de retomada das compras nos próximos anos.
Visão Bolso do Investidor
O desempenho do QuintoAndar em um ambiente de crédito restrito mostra como modelos de negócios baseados em escala, dados e integração digital conseguem atravessar ciclos desafiadores. Para o investidor, o comportamento divergente entre locação e compra evidencia como fatores macroeconômicos moldam a dinâmica imobiliária e reforça a importância de avaliar empresas com múltiplos canais de receita e alta capacidade de adaptação.
Fontes:
- InfoMoney
