Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 04/10/2025

Para o analista Max Bohm, o rebalanceamento de carteira é mais do que ajustar percentuais: é uma prática técnica essencial para proteger o portfólio e ampliar oportunidades ao longo do tempo. Ele afirma que investidores de longo prazo devem monitorar suas posições com método, baseado em fundamentos, valor justo e margem de segurança.
Bohm destaca que cada ação dentro de uma carteira possui um valor justo estimado, resultado de análises de múltiplos, projeções e balanços. Quando o preço de mercado se aproxima desse valor, o investidor deve reavaliar a proporcionalidade da posição. Ele questiona se a ação adquirida por R$ 8,00 e que evoluiu para R$ 14,00 deve ocupar o mesmo peso que tinha originalmente. Para Bohm, a resposta muitas vezes é não — é recomendável realizar parte dessa posição.
A lógica vale também para quedas de mercado: se uma ação recua por contexto macro ou fatores pontuais, sem alteração nos fundamentos, o preço menor pode representar oportunidade. Nesse caso, o investidor pode aproveitar para aumentar sua alocação. Bohm exemplifica: “Se você entende que os fundamentos são sólidos… o papel que estava a R$ 12 vai a R$ 8, você vai comprando”.
Um dos conceitos centrais que o analista reforça é a margem de segurança — ou seja, que o preço de compra ofereça pouco risco e grande potencial de ganho. Ele menciona um estudo realizado com a Intelbras, que estimou valor de R$ 18,00 para o papel, enquanto o mercado o negociava por R$ 11,00, o que representou um cenário confortável para aumentar a posição.
O acompanhamento contínuo da carteira permite decisões mais criteriosas: não apenas entradas e reforços, mas também saídas quando os fundamentos se deterioram. Bohm conta que já saiu completamente de posições que perderam transparência institucional ou apresentaram fragilidade na gestão. Ele relata que deixou de investir no Banco do Brasil após constatar falta de governança e optou por realocar recursos para o Bradesco — operação que, nos meses seguintes, se mostrou favorável.
O rebalanceamento não depende apenas de preço: o peso original de cada ativo na carteira também atua como guia. Se uma ação valoriza muito e ultrapassa seu teto de alocação, isso sinaliza que parte dela pode ser vendida para redistribuir recursos para outros papéis subavaliados. Ao mesmo tempo, quedas significativas podem acionar recompras, desde que os fundamentos permaneçam sólidos.
Bohm alerta que esse processo exige tempo e disciplina, e nem todo investidor consegue aplicá-lo sozinho. Por isso, ele costuma destacar o papel de gestores ou assessores que auxiliem na execução dessas estratégias. Para ele, muitos profissionais já atuam como “os olhos do investidor” dentro da própria carteira.
Ser metódico no rebalanceamento, segundo o analista, é o que separa investidores amadores de quem constrói resultados consistentes no longo prazo. A abordagem técnica — com base em valor justo, margem de segurança e revisão contínua — serve como bússola em ambientes de volatilidade.
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