Redução da vantagem de Lula nas pesquisas altera estratégia do Centrão para a disputa presidencial de 2026

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 13 de fevereiro de 2026

A mais recente rodada da pesquisa eleitoral Genial/Quaest, analisada no programa Mapa de Risco, do InfoMoney, aponta uma mudança relevante no cenário da corrida presidencial. O levantamento indica redução significativa da diferença entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma eventual disputa de segundo turno.

Em agosto de 2025, a distância entre os dois era de 16 pontos percentuais. Agora, o intervalo caiu para cinco pontos. Lula aparece com 43% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 38%.

Apesar de o presidente ainda liderar em todos os cenários simulados, o estreitamento foi considerado o principal destaque da análise feita no programa. Para especialistas, o avanço do senador consolida sua posição como principal nome da direita e amplia a pressão sobre o eleitorado de centro.

Segundo o analista político da XP Paulo Gama, o crescimento de Flávio fortalece sua candidatura dentro do campo de oposição. Ele pondera, no entanto, que o avanço não é suficiente para garantir apoio imediato de partidos do chamado Centrão.

De acordo com o analista, o cenário de segundo turno e os índices ainda elevados de rejeição dificultam que esses partidos assumam o risco de patrocinar uma candidatura oposicionista neste momento.

Eleição marcada por rejeição

Durante o debate, os analistas destacaram que a disputa tende a repetir a lógica observada em 2022, quando a rejeição teve maior peso do que a capacidade de ampliar a base de apoio.

Na avaliação de Gama, a eleição pode novamente ser decidida por qual candidato enfrenta menor resistência do eleitorado. O foco da campanha, nesse contexto, tende a girar menos em torno da conquista de novos votos e mais na redução da rejeição.

A pesquisa também mostra 45% de aprovação ao governo e 49% de desaprovação. Entre eleitores independentes, a rejeição aparece elevada tanto para Lula quanto para Flávio, o que, segundo os analistas, transforma esse grupo no fiel da balança da disputa.

Transferência de votos no campo bolsonarista

Outro ponto observado foi a velocidade da migração de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro para o filho. Para o analista político da XP João Paulo Machado, parte do mercado político demonstrou surpresa com a rapidez dessa transferência.

Segundo ele, já se esperava algum nível de apoio automático do eleitorado bolsonarista, mas não na intensidade e velocidade registradas pelas pesquisas recentes.

Machado afirmou ainda que o potencial de crescimento dentro da base mais fiel pode estar próximo do limite, já que boa parte desse eleitorado já teria sido incorporada à candidatura de Flávio.

Nesse contexto, o espaço restante de expansão passaria a depender do eleitorado moderado e de centro, segmento que foi decisivo para o resultado das eleições de 2022.

Cálculo político do Centrão

Para os analistas, o desempenho nas pesquisas altera o cálculo estratégico do Centrão. Após um período em que alguns partidos cogitavam apoiar uma candidatura alternativa à direita, como a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), o apoio público de Jair Bolsonaro ao filho reorganizou o cenário.

Mesmo assim, a postura predominante entre esses partidos é de cautela. A tendência, segundo avaliação apresentada no programa, é aguardar definições mais claras antes de formalizar alianças.

Do lado governista, a preocupação está na estabilidade da avaliação positiva do governo. Os analistas apontaram sinais de estagnação nos índices de aprovação classificados como “ótimo” e “bom”, o que pode limitar a capacidade de ampliação da base eleitoral.

A leitura geral é que o ambiente político de 2026 já começa a influenciar decisões partidárias, estratégias regionais e o comportamento do Congresso. Com a diferença mais estreita entre os principais nomes e níveis elevados de rejeição, o resultado tende a depender menos da expansão de apoio e mais da capacidade de reduzir resistências.

O programa Mapa de Risco vai ao ar às sextas-feiras, a partir das 5h da manhã, no canal do InfoMoney no YouTube e em plataformas de podcast.

Visão Bolso do Investidor

Movimentos no cenário político e eleitoral influenciam expectativas sobre política fiscal, reformas estruturais e estabilidade institucional, fatores que afetam diretamente o ambiente de investimentos. Mudanças nas alianças do Centrão, na competitividade das candidaturas e no nível de incerteza eleitoral tendem a impactar prêmios de risco, câmbio, juros e decisões de investimento de longo prazo. Para o mercado, acompanhar a evolução das pesquisas e o posicionamento dos principais grupos políticos ajuda a antecipar possíveis cenários para a economia a partir de 2027.


Fontes:

  • Infomoney