Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 4 de novembro de 2025

A resistência à política comercial do presidente Donald Trump cresce dentro do próprio Partido Republicano.
Na última semana, o Senado dos Estados Unidos votou três vezes para retirar de Trump o poder de aplicar tarifas impostas desde o início de seu mandato, em janeiro. Embora as medidas tenham caráter simbólico — com poucas chances de avançar na Câmara e serem sancionadas —, elas expuseram divisões cada vez mais profundas entre os republicanos.
Em um almoço privado com o vice-presidente JD Vance, vários senadores pediram que o governo desistisse do plano de ampliar as importações de carne bovina da Argentina, o que tem irritado pecuaristas americanos — uma base tradicionalmente aliada de Trump.
Os republicanos do Congresso ainda apoiam a maior parte da agenda do presidente, mas as recentes votações e reuniões revelam inquietação crescente com os impactos da guerra comercial em seus próprios eleitores.
Pressão contra tarifas e importações
Vance foi enviado ao Capitólio para tentar convencer senadores a rejeitarem três resoluções que revogariam estados de emergência usados por Trump como base legal para impor tarifas a parceiros comerciais.
No entanto, a reunião se transformou em um debate acalorado. Senadores de estados agropecuários, como o Texas e as Dakotas, questionaram o plano do governo de quadruplicar as importações de carne argentina, com tarifas reduzidas.
A proposta, que visa conter a alta dos preços da carne nos EUA, contrariou o setor pecuário, um dos principais aliados do Partido Republicano.
O senador Ted Cruz (Texas) descreveu o encontro como uma “conversa franca e vigorosa”, enquanto John Cornyn, também do Texas, declarou que o partido “não quer favorecer importações estrangeiras em detrimento da produção nacional”.
Poucas horas depois, o Senado aprovou, com apoio bipartidário, uma resolução para encerrar tarifas de 50% sobre o Brasil. No dia seguinte, uma nova votação (50 a 46) eliminou parte das tarifas aplicadas ao Canadá.
Na quinta-feira (30), por 51 votos a 47, republicanos voltaram a cruzar a linha partidária para aprovar a revogação da tarifa global de Trump sobre mais de 100 parceiros comerciais.
Divergências dentro do partido
Apesar das dissidências, a maioria dos republicanos ainda defende a política tarifária, afirmando que, embora cause desconforto temporário, ela tornará o comércio global mais justo para agricultores e fabricantes americanos.
O senador John Hoeven (Dakota do Norte) reconheceu os desafios enfrentados pelos produtores, mas argumentou que o “esforço do presidente trará melhores acordos comerciais”.
Outros líderes, porém, veem prejuízos claros. O ex-líder Mitch McConnell (Kentucky) apoiou todas as medidas contrárias às tarifas, afirmando que a guerra comercial de Trump prejudicou montadoras, agricultores e destilarias em seu estado.
“Os consumidores estão pagando preços mais altos em todos os setores”, afirmou McConnell.
A senadora Susan Collins (Maine) também se opôs às tarifas, alertando que as taxas sobre aço e alumínio aumentaram os custos dos pescadores de lagosta, encarecendo equipamentos básicos.
O democrata Tim Kaine (Virgínia), autor das resoluções, avaliou que o envio do vice-presidente ao Congresso “mostra que a própria Casa Branca está realmente preocupada com o descontentamento interno”.
Entre os cinco republicanos que apoiaram as resoluções estavam Rand Paul, McConnell, Collins, Lisa Murkowski (Alasca) e Thom Tillis (Carolina do Norte) — este último chamando as tarifas sobre o Brasil de “arbitrárias” e prejudiciais à indústria americana.
Guerra comercial e constitucionalidade
Para Rand Paul, as tarifas impostas por Trump ultrapassam limites constitucionais:
“A Constituição dá ao Congresso o poder de impor impostos — e tarifas são impostos.
Essas novas taxas fracassam não apenas na economia, mas também na Constituição e precisam ser revertidas.”
A Suprema Corte dos EUA deve ouvir, nesta semana, argumentos sobre se o presidente pode aplicar tarifas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, criada durante o governo Carter.
Republicanos contrários às resoluções classificaram as iniciativas como ataques políticos.
O senador Josh Hawley (Missouri) defendeu Trump, dizendo que ele atuou “dentro dos limites legais”.
“Estão tentando escolher o que gostam e o que não gostam. Mas apresentaram alguma proposta para mudar as leis?”, questionou.
Visão Bolso do Investidor
As divisões dentro do Partido Republicano mostram que a política comercial dos EUA pode entrar em revisão, especialmente se o Congresso continuar pressionando contra as tarifas impostas pelo governo Trump.
Para investidores, esse embate revela riscos adicionais na relação comercial internacional, afetando commodities agrícolas, metais e empresas exportadoras.
A eventual redução das tarifas pode beneficiar mercados emergentes, como o Brasil e a Argentina, mas também aumentar a volatilidade cambial e comercial no curto prazo.
Fontes:
- InfoMoney
