Retirada de tarifas pelos EUA reacende potencial para frigoríficos e exportadoras brasileiras; Minerva é destaque

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 21 de novembro de 2025

A suspensão da tarifa adicional de 40% aplicada pelos Estados Unidos sobre diversos produtos agrícolas brasileiros reacendeu o otimismo em setores estratégicos da B3. A medida, assinada pelo presidente Donald Trump na última quinta-feira (20), beneficia especialmente a cadeia de proteínas e o mercado de café — dois segmentos em que o Brasil detém liderança global e forte exposição ao mercado norte-americano.

O movimento ocorre após meses de tensão comercial, nos quais o pacote de tarifas de 50% implementado em abril reduziu drasticamente os embarques brasileiros, sobretudo de carne bovina. Segundo o Bradesco BBI, o impacto foi imediato: frigoríficos precisaram redirecionar volumes para destinos alternativos, mas com preços menos favoráveis, comprimindo margens e reduzindo o prêmio historicamente pago pelo mercado americano. Entre janeiro e julho, 11% das exportações brasileiras de carne bovina tiveram os Estados Unidos como destino, percentual que despencou nos meses subsequentes.

A reversão ocorre em um momento particularmente estratégico. O mercado americano convive com oferta restrita de gado e enfrenta um ciclo de recomposição lento, ampliando a necessidade de importações. Para 2026, a reabertura da cota anual de exportação isenta de impostos deve acelerar o retorno dos volumes brasileiros, com competitividade mantida mesmo acima do limite tarifário tradicional. Segundo o BBI, esse novo cenário tende a fortalecer os spreads de exportação num período em que o próprio ciclo pecuário brasileiro passa por mudanças estruturais.

Nesse contexto, a Minerva (BEEF3) desponta como principal vencedora da retirada das tarifas. A companhia possui uma das maiores exposições ao mercado americano, com até 21% das vendas totais no 3º trimestre de 2025 enviadas aos EUA. JBS (JBSS32), considerada a preferida do BBI no setor de proteínas, e a MBRF (MBRF3) também devem experimentar uma recuperação relevante com a normalização dos embarques.

No mercado de café, a sensibilidade às tarifas foi ainda mais evidente. Os Estados Unidos são o maior destino global do café brasileiro, e a incidência da tarifa provocou uma queda de 44% nas exportações entre agosto e novembro, criando escassez de oferta no mercado americano e impulsionando os preços na Bolsa de Chicago. Com a retirada do imposto, o fluxo tende a ser restabelecido de forma progressiva, aliviando pressões sobre o mercado internacional, embora a oferta global siga restrita, o que limita qualquer queda substancial de preços.

No Brasil, a redução do desconto do café local em relação aos preços internacionais deve reforçar margens domésticas ao longo de 2026. Esse ambiente é especialmente positivo para a Camil (CAML3), que opera com forte dependência da commodity e deve sentir o impacto de preços elevados combinados a um mercado externo mais fluido.


Visão Bolso do Investidor

A retirada das tarifas pelo governo americano representa um alívio imediato para setores que vinham trabalhando sob forte estresse comercial. Para frigoríficos, especialmente a Minerva, a restauração da competitividade nos Estados Unidos devolve acesso ao mercado que tradicionalmente paga mais e absorve cortes com menor valor agregado — combinação que tende a ampliar margens no curto e médio prazo.

Já no café, a normalização dos fluxos tende a reduzir distorções e sustentar preços internos elevados, beneficiando companhias com exposição direta à commodity, como a Camil. Ainda assim, a dinâmica internacional segue apertada, o que deve manter o mercado suscetível a volatilidade.

Para o investidor de ações, o novo ambiente sugere oportunidades principalmente entre as empresas com maior exposição ao mercado americano e maior elasticidade operacional para capturar essa retomada. A decisão dos EUA também reforça a importância de acompanhar ciclos globais de oferta e demanda, que seguem determinantes para os resultados do agronegócio brasileiro.


Fontes:

  • InfoMoney