Reunião fora da agenda entre Lula e Vorcaro no Planalto ocorre em meio a investigações sobre o Banco Master

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 27 de janeiro de 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em uma reunião que não constou na agenda oficial da Presidência da República. O encontro foi confirmado por apurações do Metrópoles e do UOL e veio a público no contexto do avanço das investigações sobre um suposto esquema de venda de ativos inexistentes envolvendo o banco privado e o Banco de Brasília (BRB).

Segundo relatos de integrantes do governo, Vorcaro chegou ao Planalto acompanhado do ex-ministro Guido Mantega e do empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Antes da audiência com o presidente, o grupo passou pelo gabinete de Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, chefe do gabinete pessoal de Lula e responsável direto pela organização da agenda presidencial. Procurada, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência não se manifestou sobre o episódio.

Também participou da reunião Gabriel Galípolo, então recém-indicado por Lula para a presidência do Banco Central, cargo que assumiria oficialmente em 1º de janeiro de 2025. Questionado, o Banco Central informou que não comentaria compromissos institucionais realizados durante o período de transição.

De acordo com interlocutores ouvidos pelos veículos que revelaram o encontro, Vorcaro utilizou a reunião para relatar preocupações relacionadas ao ambiente de mercado e à situação do Banco Master. Lula, segundo essas versões, teria afirmado que qualquer assunto envolvendo a instituição financeira deveria ser tratado exclusivamente no âmbito técnico do Banco Central, sem interferência política direta do Palácio do Planalto.

Pressão política e ruído institucional

Apesar dessa orientação formal, o caso passou a gerar desconforto dentro do governo. Conforme noticiado pela Folha de S.Paulo, Lula demonstrou irritação, em conversas reservadas, com a condução do inquérito no Supremo Tribunal Federal, sob a relatoria do ministro Dias Toffoli. Segundo informações divulgadas por O Globo, presidente e ministro chegaram a se reunir para tratar do tema, em meio a críticas ao grau de sigilo imposto ao processo.

O entorno do Banco Master também contribuiu para ampliar o ruído político. Daniel Vorcaro mantém relações com figuras do centrão, como o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), citado em depoimentos recentes. Já Augusto Lima tem trânsito no PT da Bahia. De acordo com relatos colhidos pela imprensa, o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, também teria participado do encontro no Planalto. A Casa Civil não comentou a informação.

Caso BRB e impacto financeiro

As investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal apontam que o Banco Master teria vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao Banco de Brasília. Segundo os investigadores, a operação teria sido utilizada para tentar sustentar o banco privado, que enfrentava uma grave crise de liquidez. Ex-executivos das duas instituições já foram intimados a prestar depoimento.

O potencial prejuízo ao BRB é estimado em aproximadamente R$ 4 bilhões. O caso levou o Banco Central a decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro, ampliando o impacto sistêmico do episódio e colocando o tema no radar do mercado financeiro.

Visão Bolso do Investidor

O avanço das investigações envolvendo instituições financeiras e a exposição de reuniões fora da agenda oficial reforçam a importância da governança, da transparência institucional e da atuação técnica dos órgãos reguladores. Para investidores, episódios desse tipo tendem a aumentar a percepção de risco institucional e podem influenciar a confiança no sistema financeiro, especialmente quando envolvem bancos públicos, privados e autoridades de alto escalão. A condução técnica das apurações e a resposta dos reguladores são fatores centrais para avaliar possíveis efeitos sobre o ambiente de negócios e a estabilidade do mercado.


Fontes:

  • Infomoney