Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 23 de dezembro de 2025

As ações da Copasa registraram alta após a divulgação dos números regulatórios finais da revisão tarifária conduzida pela ARSAE-MG. O processo, que impactará diretamente as tarifas da companhia a partir de 2026, foi interpretado de forma positiva pelo mercado, especialmente por trazer maior previsibilidade à remuneração do capital investido.
Por volta das 11h49, os papéis CSMG3 subiam 1,26%, negociados a R$ 43,41. Analistas destacaram que a revisão trouxe avanços relevantes tanto do ponto de vista regulatório quanto estratégico, em um momento em que a privatização da companhia segue no radar do governo de Minas Gerais.
Para o Itaú BBA, o principal ponto positivo foi a aprovação da mudança na metodologia do WACC (custo médio ponderado de capital). A nova abordagem passa a considerar uma remuneração regulatória bruta de impostos, permitindo que a Copasa capture de forma mais eficiente os benefícios fiscais associados ao uso de juros sobre capital próprio (JCP).
Segundo o banco, essa alteração era aguardada há anos pelo mercado, pois melhora a eficiência da remuneração do capital e fortalece a capacidade da empresa de gerar valor ao longo do novo ciclo tarifário. Além disso, a Copasa anunciou um plano plurianual de investimentos (capex) para o período de 2026 a 2030 no valor de R$ 21 bilhões, montante acima das expectativas anteriores.
Com a incorporação dessas premissas, o Itaú BBA estima um potencial de valorização de aproximadamente 10% em relação ao preço-alvo, reiterando recomendação equivalente à compra, com preço-alvo de R$ 43,23 por ação.
Na visão do Bradesco BBI, a revisão tarifária representa um passo essencial no processo de maximização de valor da Copasa antes da privatização. Os analistas destacam que uma revisão considerada justa e técnica é um dos principais pré-requisitos para atrair investidores e reduzir riscos regulatórios no momento da venda da companhia.
O Bradesco BBI trabalha com a expectativa de que o governo de Minas Gerais venda cerca de 45% do capital da Copasa, mantendo aproximadamente 5% de participação. Na avaliação do banco, a revisão tarifária aprovada cumpre esse papel ao reforçar a previsibilidade do fluxo de caixa e a sustentabilidade econômico-financeira da concessão.
Apesar da visão positiva sobre o processo, o BBI manteve recomendação neutra para CSMG3, com preço-alvo de R$ 56,00 para o fim de 2026. O banco ressalta que suas projeções já incorporavam boa parte das melhorias confirmadas pela revisão tarifária.
Outro ponto ainda em acompanhamento pelo mercado é a definição da curva de compartilhamento de eficiência das despesas operacionais, que permanece pendente. Segundo o Bradesco BBI, o cenário-base adotado considera a proposta apresentada pela Copasa à agência reguladora em agosto, com expectativa de confirmação em breve, possivelmente junto ao novo acordo de concessão de Belo Horizonte.
Para o banco, a assinatura deste acordo deve representar a última grande redução de risco antes do processo de privatização, atualmente previsto para abril de 2026.
Visão Bolso do Investidor
A revisão tarifária da Copasa reforça um elemento central em empresas reguladas: previsibilidade. A mudança na metodologia do WACC, aliada a um plano robusto de investimentos, melhora a leitura de longo prazo sobre geração de caixa e retorno ao acionista. Em um contexto de privatização, avanços regulatórios costumam funcionar como catalisadores importantes de valor, pois reduzem incertezas e aumentam o apetite de investidores institucionais.
Para o investidor, o caso da Copasa ilustra como decisões regulatórias podem ter impacto direto na precificação dos ativos, especialmente em setores intensivos em capital como saneamento. Mais do que o movimento pontual das ações, o que está em jogo é a construção de um ambiente econômico mais estável para a empresa às vésperas de uma mudança estrutural relevante em seu controle acionário.
Fontes:
- InfoMoney
