Sabesp adquire 70% da EMAE por R$ 1,13 bilhão em operação com Eletrobras e Vórtx

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 06/10/2025

A Sabesp anunciou a compra de 70% do controle da EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) por R$ 1,131 bilhão, em transação que envolve a Eletrobras e a Vórtx. Com essa aquisição, a companhia paulista passará a deter 70,1% do capital total da EMAE, mas o negócio ainda está sujeito às aprovações regulatórias e ao cumprimento de condições suspensivas.

A operação foi negociada em diferentes frentes: com a Vórtx, a Sabesp adquiriu 74,9% das ações ordinárias da EMAE, pagando R$ 59,33 por ação. Já com a Eletrobras, por meio de uma subsidiária, comprou 66,8% das ações preferenciais da empresa, ao preço de R$ 32,07 por papel. Ambas as transações foram estruturadas de forma separada e dependem do cumprimento de cláusulas específicas antes de serem efetivadas.

Segundo a Sabesp, o negócio tem caráter estratégico e traz benefícios importantes em duas dimensões: segurança hídrica e ativos elétricos integrados. Na parte hídrica, a aquisição permitirá a integração dos sistemas Billings e Guarapiranga, ampliando a flexibilidade operacional no gerenciamento dos mananciais da Região Metropolitana de São Paulo e fortalecendo a resiliência no abastecimento em cenários adversos.

No segmento de energia, a EMAE já opera com contratos de longo prazo indexados à inflação, o que confere previsibilidade à geração de receita. Diante disso, o portfólio elétrico da empresa agora passa a compor o leque de ativos da Sabesp com caixa potencial estável e relevância operacional.

O comunicado da Sabesp, encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), informa que a empresa pretende realizar uma conferência telefônica com investidores a partir das 10h do dia seguinte para detalhar os termos da operação e responder dúvidas.

A melhoria prevista na gestão dos recursos hídricos surge como resposta aos desafios crescentes de mudanças climáticas, demandas urbanas e agravamentos em períodos de estiagem. Ao unir o controle da EMAE, a Sabesp reforça sua presença em ativos estratégicos que impactam diretamente a segurança no fornecimento de água para milhões de pessoas.

Do ponto de vista financeiro, o custo da transação pode ser justificado pela expectativa de sinergias entre operação hídrica e geração elétrica — especialmente pela complementaridade entre os sistemas e o uso de infraestrutura já existente. Essa integração pode trazer ganhos operacionais e otimização de custos ao longo do tempo.

Embora o acordo já tenha sido anunciado, sua conclusão depende de aval das autoridades antitruste e regulatórias. Também haverá análise quanto à liquidez dos recursos, garantias exigidas e cumprimento de obrigações contratuais por ambas as partes.

Se efetivada, a aquisição representará um marco para a Sabesp — ela não só ampliará seu portfólio operacional, mas passará a atuar com mais peso em segmentos que dialogam com seu core de serviço público. Para investidores, será importante acompanhar o efeito nos resultados futuros, o impacto no endividamento e o grau de execução das sinergias projetadas.


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