Salário-mínimo cobre apenas um terço do necessário para uma vida digna, aponta estudo

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 18/10/2025


Introdução

Um novo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) revelou que o salário-mínimo brasileiro cobre apenas um terço do valor considerado suficiente para uma pessoa viver com dignidade no país. O dado reforça a distância entre o rendimento oficial e o custo real de vida, expondo as limitações do poder de compra da base salarial e suas implicações sociais e econômicas. Para o investidor, o cenário sinaliza fragilidade estrutural no consumo das famílias e possíveis pressões futuras sobre políticas de renda e gastos públicos.


Diferença entre o mínimo oficial e o mínimo necessário

De acordo com o estudo, o valor ideal para cobrir despesas básicas como moradia, alimentação, transporte e serviços essenciais deveria ser de aproximadamente R$7.075,83 por mês, considerando os preços de setembro de 2025. No entanto, o salário-mínimo em vigor é de R$1.518,00 o que representa menos de 25% do valor necessário.

Essa defasagem histórica se repete ao longo dos anos. Desde 2004, o DIEESE calcula que o piso ideal jamais se aproximou do valor real estipulado pelo governo. Mesmo com reajustes anuais, o mínimo oficial segue muito abaixo da linha que garantiria condições adequadas de subsistência. O resultado é uma renda básica que cobre apenas gastos essenciais, deixando as famílias vulneráveis a qualquer variação de preços ou imprevisto econômico.


Impacto social e econômico do baixo poder de compra

A diferença entre o mínimo oficial e o mínimo necessário tem reflexos diretos na qualidade de vida da população e no desempenho da economia. Com uma renda insuficiente, famílias destinam a maior parte de seus ganhos para itens de sobrevivência, como alimentação e transporte, reduzindo drasticamente o consumo de bens e serviços não essenciais. Essa restrição limita o crescimento de setores ligados ao varejo, crédito e consumo doméstico, além de diminuir a capacidade de poupança e investimento pessoal.

A vulnerabilidade financeira também aumenta a dependência de programas de transferência de renda e eleva a pressão por políticas públicas de compensação. Do ponto de vista macroeconômico, a defasagem do salário-mínimo tende a manter a economia em um ciclo de baixo consumo e alta concentração de renda, o que compromete a expansão do mercado interno e, consequentemente, o ritmo de crescimento do país.


Análise do Bolso do Investidor

O dado do DIEESE é um alerta importante para o mercado. Um salário-mínimo que cobre apenas um terço das necessidades básicas significa que boa parte da população segue com consumo limitado e vulnerável a choques inflacionários. Para o investidor, isso indica que setores voltados às classes de menor renda podem continuar enfrentando um ambiente de demanda fraca, especialmente no varejo popular, no crédito e nos serviços de baixo ticket médio.

Por outro lado, o resultado pode gerar pressões políticas por reajustes mais robustos no salário-mínimo nos próximos anos, o que afetaria o orçamento público e as expectativas fiscais. Caso o governo opte por elevar o piso acima da inflação, haverá impacto direto sobre o consumo, mas também sobre as despesas da Previdência e do funcionalismo, ampliando os desafios fiscais.

Em resumo, o cenário revela que, embora a queda da inflação tenha trazido alívio pontual, a renda real ainda está longe de sustentar uma recuperação sólida do consumo interno.


Fechamento e o que acompanhar

Nos próximos meses, o debate sobre o reajuste do salário-mínimo de 2026 deve ganhar força no Congresso e entre economistas. Será crucial observar se o governo buscará recompor parte dessa defasagem com aumentos acima da inflação ou se manterá a política de reajuste gradual, para não pressionar ainda mais as contas públicas.

Além disso, será importante acompanhar a evolução do custo de vida e o comportamento da inflação de alimentos e serviços, que têm maior peso para as famílias de menor renda. A capacidade do país de reduzir essa distância entre o mínimo ideal e o mínimo real será um dos principais termômetros para medir a eficácia das políticas de renda e o potencial de expansão do consumo popular.


Fontes: InfoMoney