Santander abre temporada de balanços e mercado projeta avanço gradual no 4T25

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 03 de fevereiro de 2026

O Santander Brasil será o primeiro grande banco a divulgar seus números na temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 (4T25). O resultado será conhecido na quarta-feira (4), antes da abertura dos mercados, e deve trazer sinais de melhora operacional, ainda que a recuperação da rentabilidade siga em ritmo gradual.

De acordo com estimativas compiladas pela LSEG, o mercado projeta lucro líquido recorrente de R$ 4,03 bilhões no trimestre. Analistas destacam que o principal vetor positivo deve continuar vindo do controle de custos, enquanto a normalização mais consistente do retorno sobre o patrimônio (ROE) tende a ficar concentrada em horizontes mais longos.

Custos seguem como principal alavanca

Na avaliação do JPMorgan, o balanço deve mostrar despesas crescendo abaixo da inflação, o que contribui para ganhos de eficiência. Por outro lado, o banco acredita que a recuperação do ROE até o patamar acima de 20%, ambição declarada pela administração, ainda deve levar tempo e se concentrar a partir de 2027.

Para 2026, o JPMorgan estima lucro anual em torno de R$ 17,3 bilhões, refletindo um processo gradual de melhora operacional, mais do que uma aceleração abrupta de resultados.

Receita estável e crédito em ritmo moderado

O Bradesco BBI projeta um trimestre de estabilidade nas receitas, em linha com o período anterior. Segundo o banco, a área de Tesouraria deve continuar pressionada, enquanto a margem com clientes tende a avançar, acompanhada por um crescimento anual da carteira de crédito próximo de 3%.

A qualidade dos ativos, segundo essa leitura, deve permanecer estável, com provisões acompanhando o crescimento da carteira. Já as despesas operacionais e tarifas tendem a ser sazonalmente mais elevadas, o que deve levar a um crescimento do lucro antes dos impostos próximo de 5% no trimestre. Ainda assim, uma alíquota efetiva de imposto mais alta deve limitar o avanço do lucro líquido, mantendo o resultado próximo de R$ 4 bilhões.

Margens sob pressão e ROE em recuperação gradual

Para o Itaú BBA, o Santander deve mostrar expansão moderada do crédito, também em torno de 3% no comparativo anual, refletindo uma postura mais seletiva. As margens financeiras com clientes devem permanecer estáveis, enquanto os resultados negativos da Tesouraria continuam pressionando a intermediação financeira.

O custo de risco tende a ficar controlado, apesar de uma leve alta da inadimplência. O crescimento das receitas, segundo o BBA, deve ser parcialmente compensado por despesas operacionais mais altas. Nesse cenário, o banco estima lucro trimestral de cerca de R$ 4,1 bilhões, com ROE em torno de 17,4%, favorecido por uma alíquota efetiva de imposto mais baixa.

Sem divulgação de guidance oficial, o Itaú BBA revisou sua projeção de lucro para 2026 para R$ 16,9 bilhões, o que representa crescimento de aproximadamente 8% na comparação anual.

Visão semelhante entre grandes casas

O Goldman Sachs também trabalha com lucro líquido recorrente próximo de R$ 4,1 bilhões no 4T25, o que representaria alta de 3% em relação ao trimestre anterior e de 33% na comparação anual. O ROE, segundo o banco, deve subir para cerca de 17,4%, acima dos níveis observados no 3T25 e no 4T24.

O Goldman projeta crescimento moderado da receita líquida de juros, mesmo com avanço contido do crédito, enquanto a Tesouraria segue sob pressão. A receita de tarifas deve crescer cerca de 6% no trimestre, impulsionada por volumes sazonais mais elevados em cartões e seguros. As despesas operacionais, por sua vez, devem crescer abaixo da inflação na comparação anual, melhorando o índice de eficiência.

Visão Bolso do Investidor

O balanço do Santander deve reforçar a leitura de que a recuperação do banco segue em curso, mas ainda sem aceleração expressiva. O controle de custos aparece como o principal pilar de sustentação dos resultados no curto prazo, enquanto a retomada mais robusta da rentabilidade depende de um ambiente macroeconômico mais favorável e de avanços graduais na margem financeira. Para o investidor, o 4T25 tende a confirmar uma trajetória de melhora consistente, porém ainda incremental, sem grandes surpresas estruturais.


Fontes:

  • InfoMoney