Selic deve cair em 2026: como se preparar para um novo ciclo de juros mais baixos

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 24 de dezembro de 2025

Após um período prolongado de juros elevados, o mercado projeta o início de um novo ciclo de afrouxamento monetário no Brasil em 2026. A mediana das estimativas aponta que a taxa Selic pode recuar dos atuais 15% para cerca de 12% até o fim do próximo ano, uma queda de até 300 pontos-base. Analistas avaliam o cenário como promissor, porém marcado por volatilidade.

A expectativa de cortes nos juros brasileiros se soma à perspectiva de redução das taxas nos Estados Unidos pelo Federal Reserve, criando um ambiente considerado favorável para ativos de risco, ao mesmo tempo em que a renda fixa segue atrativa.

Projeções da XP Research e do BTG Pactual indicam que o Banco Central do Brasil deve iniciar os cortes ainda no primeiro trimestre de 2026.

Renda fixa segue relevante

Mesmo com a queda esperada da Selic, a taxa deve encerrar 2026 em nível ainda considerado restritivo, próximo de 12%. Com isso, títulos pós-fixados atrelados ao CDI continuam sendo vistos como instrumentos importantes de liquidez e rentabilidade.

Segundo analistas da XP, o mercado antecipa movimentos futuros, e boa parte do fechamento da curva de juros já ocorreu. Esse contexto favorece títulos prefixados e papéis indexados à inflação (IPCA+) com prazos mais longos. A recomendação geral segue sendo cautela na escolha de emissores e atenção ao risco de crédito. Para 2026, as projeções de inflação giram em torno de 4,1% a 4,2%.

Bolsa tende a se beneficiar dos cortes

O mercado acionário brasileiro teve desempenho expressivo em 2025, e a expectativa é que a queda dos juros seja um dos principais vetores de suporte para a Bolsa em 2026. Para a XP, cortes de juros no Brasil e nos Estados Unidos costumam favorecer ações, especialmente nos primeiros meses do ciclo.

As casas de análise destacam a preferência por empresas com balanços sólidos, previsibilidade de resultados e capacidade de repasse de custos. Setores como energia e saneamento aparecem como opções defensivas em um ambiente de incerteza política. O BTG também aponta que empresas ligadas ao aluguel de veículos podem se beneficiar da redução dos custos de financiamento.

Fundos imobiliários ganham fôlego

Com juros em trajetória de queda, os fundos imobiliários tendem a recuperar a atratividade. A XP vê potencial principalmente nos Fundos de Fundos (FOFs), que costumam se beneficiar do fechamento da curva de juros e da valorização das cotas. Para perfis mais conservadores, fundos de recebíveis imobiliários com risco de crédito baixo a moderado seguem oferecendo retornos competitivos.

Fiscal e eleições no radar

Apesar do cenário mais construtivo, os gastos públicos permanecem como principal ponto de atenção. O BTG estima que a dívida bruta encerre 2025 em cerca de 79% do PIB, com déficit nominal elevado, o que pode limitar a intensidade dos cortes de juros.

Além disso, a proximidade das eleições presidenciais de 2026 tende a elevar a volatilidade a partir do segundo trimestre, à medida que se definem candidaturas e propostas econômicas. Analistas recomendam diversificação e cautela com exposições excessivas a ativos mais voláteis.

Visão Bolso do Investidor

A expectativa de queda da Selic em 2026 abre espaço para ajustes estratégicos nas carteiras, mas não elimina riscos. Juros menores tendem a favorecer ativos de risco, enquanto a renda fixa ainda oferece oportunidades relevantes. Para o investidor, o equilíbrio entre diversificação, proteção contra inflação e atenção ao cenário fiscal e político será fundamental para atravessar um ano que promete oportunidades, mas também oscilações importantes.

Fontes: InfoMoney