Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 23 de dezembro de 2025

Após um longo período de política monetária restritiva, o mercado financeiro começa a projetar um novo ciclo para a economia brasileira a partir de 2026. As expectativas apontam para o início do processo de redução da taxa Selic, hoje em 15% ao ano, com cortes que podem somar até 300 pontos-base até o fim do próximo ano.
De acordo com projeções compiladas por casas como XP Research e BTG Pactual, a taxa básica de juros pode encerrar 2026 em torno de 12%, em um movimento que tende a alterar de forma relevante a dinâmica dos investimentos no Brasil. A mediana do mercado indica uma Selic próxima de 12,13% ao fim do período, refletindo a expectativa de desaceleração da inflação e início de um ambiente monetário menos restritivo.
O cenário se torna ainda mais relevante quando combinado à possibilidade de cortes de juros também nos Estados Unidos, pelo Federal Reserve, criando um ambiente considerado favorável para ativos de risco, ainda que marcado por volatilidade.
Renda fixa segue relevante mesmo com cortes de juros
Apesar da perspectiva de queda da Selic, analistas destacam que a renda fixa continuará exercendo papel central nas carteiras em 2026. Isso porque, mesmo após os cortes projetados, os juros permanecerão em patamar elevado em termos históricos.
Camilla Dolle, head de Renda Fixa da XP, destaca que o mercado financeiro antecipa movimentos futuros e que boa parte do ajuste já ocorreu na curva de juros. Segundo ela, investidores que aguardaram a queda efetiva da Selic para se posicionar perderam parte relevante do movimento.
Nesse contexto, títulos pós-fixados atrelados ao CDI seguem interessantes para manter liquidez e rentabilidade, enquanto os papéis indexados ao IPCA ganham espaço como proteção contra a inflação, projetada entre 4,1% e 4,2% para 2026, segundo XP e BTG. Os prefixados e os títulos de inflação com prazos mais longos também passam a se beneficiar do fechamento da curva de juros.
Ações tendem a ganhar fôlego com juros menores
No mercado acionário, a expectativa de redução da Selic é vista como um dos principais catalisadores para 2026. Em 2025, o Ibovespa acumulou alta expressiva de cerca de 32% em reais, superando o desempenho de índices internacionais como o S&P 500.
Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP, ressalta que cortes simultâneos de juros no Brasil e nos Estados Unidos costumam ser historicamente positivos para a bolsa. Ainda assim, a recomendação é seletividade.
As casas de análise apontam preferência por empresas com balanços sólidos, previsibilidade de caixa e capacidade de repassar custos. Setores como Energia e Saneamento são citados como defensivos em momentos de maior incerteza política. O BTG também destaca empresas do setor de aluguel de veículos, como a Localiza, que se beneficiam diretamente da redução do custo de financiamento, além de companhias com forte momentum operacional, como a Priner.
Outro fator observado é a expectativa de estímulos fiscais em 2026, com medidas que podem injetar mais de R$ 80 bilhões na economia, incluindo a isenção de Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil e subsídios em áreas como energia e gás, o que pode sustentar o consumo interno.
Fundos imobiliários voltam ao radar
Os fundos imobiliários também tendem a se beneficiar do ambiente de queda de juros. Segundo Marx Gonçalves, head de fundos listados da XP, o fechamento da curva pode destravar ganhos de capital relevantes, especialmente em segmentos mais sensíveis às taxas de juros.
Os Fundos de Fundos (FOFs) aparecem como destaque nesse cenário, por concentrarem ativos descontados e apresentarem maior potencial de valorização em um rali do mercado imobiliário. Já os fundos de recebíveis imobiliários continuam sendo opção para investidores mais conservadores, oferecendo rendimentos atrativos com menor volatilidade, desde que o risco de crédito seja bem avaliado.
Fiscal e eleições seguem como pontos de atenção
Apesar do cenário construtivo, o risco fiscal permanece no radar. O BTG projeta que a dívida pública deve encerrar 2025 em cerca de 79% do PIB, com déficit nominal elevado. Uma deterioração das contas públicas pode limitar a magnitude dos cortes da Selic ao longo de 2026.
Além disso, o calendário eleitoral tende a elevar a volatilidade a partir do segundo trimestre do ano, à medida que as candidaturas presidenciais começam a se consolidar. A disputa entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e nomes da oposição deve aumentar a cautela dos investidores, especialmente no segundo semestre.
Visão Bolso do Investidor
O início de um ciclo de queda da Selic em 2026 marca uma transição importante para o investidor brasileiro. Embora o cenário seja mais favorável a ativos de risco, ele não elimina a necessidade de disciplina, diversificação e análise criteriosa.
Juros menores tendem a destravar valor em ações, fundos imobiliários e títulos de prazo mais longo, mas o ambiente seguirá sensível a fatores fiscais e políticos. O investidor que entender essa mudança de regime e se posicionar de forma equilibrada terá mais chances de atravessar o ciclo com consistência, sem depender de apostas concentradas ou movimentos de curto prazo.
Fontes:
- InfoMoney
- XP Research
- BTG Pactual
