Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 24 de novembro de 2025

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira, em evento da Febraban, que a autoridade monetária segue insatisfeita com o nível atual da inflação no Brasil. Segundo ele, o índice ainda não está convergindo para a meta de 3%, o que justifica a manutenção da Selic em patamar altamente restritivo.
Galípolo reconheceu que a queda da inflação tem avançado, mas ressaltou que o ritmo ainda é insuficiente diante das expectativas do BC. “Gostaríamos que a inflação estivesse convergindo mais rápido, mas existe um custo, um trade-off para isso”, afirmou. Ele reforçou que, enquanto a inflação não estiver onde o BC considera adequado, os juros permanecerão elevados. “Ainda estamos insatisfeitos, não estamos onde gostaríamos.”
A Selic está atualmente em 15% ao ano, e o mercado financeiro acompanha com atenção os sinais sobre quando poderá começar o ciclo de cortes. No entanto, o presidente do BC deixou claro que não há pressa: “Toda vez que for necessário, o Banco Central vai usar a taxa de juros”. Ele também destacou que a direção atual da política monetária segue adequada para garantir o cumprimento do mandato da instituição.
O relatório Focus divulgado nesta segunda-feira reforçou esse cenário de cautela. Economistas consultados pelo BC reduziram a projeção da Selic ao final de 2026 para 12%, mas não esperam corte já na última reunião de 2025, em dezembro.
Ao falar sobre estabilidade financeira, Galípolo afirmou que bancos são instituições “falíveis”, observação feita no mesmo mês em que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, embora o presidente não tenha citado o caso diretamente. Segundo ele, o BC “seguiu o gabarito” ao lidar com situações que envolveram riscos ao sistema financeiro este ano.
Visão Bolso do Investidor
O discurso de Galípolo reforça que o Banco Central continuará firme em sua postura conservadora até que a inflação mostre trajetória clara e consistente rumo à meta. Para os investidores, isso significa um cenário de juros elevados por mais tempo, o que tende a manter a renda fixa em posição atrativa no curto prazo e pressiona setores sensíveis ao crédito. Ao mesmo tempo, a sinalização é positiva para quem acompanha a sustentabilidade do sistema financeiro: o BC demonstra disposição para agir cedo e com rigor para evitar riscos maiores, exatamente o que se espera de uma autoridade monetária sólida.
Fontes: Reuters; InfoMoney
