Short squeeze histórico na prata reacende corrida por metais preciosos e abala mercados globais

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 13/10/2025


Explosão no preço da prata reacende lembrança de 1980
O mercado global de metais preciosos viveu um dos dias mais intensos da década, com a prata disparando acima de US$ 52 por onça, após uma forte pressão de recompras conhecida como short squeeze. O movimento provocou turbulência em Londres, centro global de negociação do metal, e reacendeu lembranças de episódios históricos de manipulação de preços ocorridos nos anos 1980.

A disparada se espalhou rapidamente para outros metais, como ouro, platina e paládio, que também registraram alta, refletindo o aumento da demanda por ativos de proteção e o desequilíbrio na oferta física do mercado londrino. Operadores chegaram a relatar falta de barras de prata disponíveis e até o uso de transporte aéreo para movimentar lotes entre Londres e Nova York.


O que é um “short squeeze”
Um short squeeze acontece quando investidores que apostaram na queda de um ativo — por meio de operações chamadas “vendas a descoberto” — são forçados a recomprar rapidamente o mesmo ativo para evitar perdas maiores.

Na prática, o investidor “vendido” aluga um ativo (como uma ação ou, neste caso, prata) esperando que o preço caia, para comprá-lo de volta mais barato e devolver ao credor, lucrando com a diferença.
Quando o preço sobe ao invés de cair, ele precisa recomprar às pressas para limitar o prejuízo — e essa corrida de recompra aumenta ainda mais a alta dos preços, em um efeito de retroalimentação.

No caso da prata, a escassez de metal disponível em Londres e o aumento abrupto dos custos de empréstimo forçaram milhares de investidores a encerrar posições vendidas, alimentando uma escalada sem precedentes.


Mercado em colapso: escassez e corrida por barras físicas
O epicentro do movimento foi o mercado físico londrino, onde estoques de prata em cofres registram queda acentuada nos últimos anos. Com pouca oferta e muita demanda, as taxas para tomar o metal emprestado — conhecidas como leasing rates — saltaram para níveis recordes, superando 30% ao ano em bases mensais.

Operadores “vendidos” se viram sem acesso ao metal para honrar contratos, sendo obrigados a pagar valores muito acima do normal para recomprar o ativo. O desequilíbrio entre oferta e demanda gerou um verdadeiro colapso na liquidez do mercado londrino.

Analistas lembram que o mercado de prata é cerca de nove vezes menor que o do ouro, o que o torna muito mais sensível a choques de liquidez e movimentos especulativos concentrados. Sem um suporte institucional como o que existe para o ouro (que conta com reservas de bancos centrais), o preço da prata tende a reagir de forma mais volátil em períodos de tensão.


Tensões globais e fuga para metais de refúgio
A disparada do metal também foi impulsionada por fatores externos. As recentes tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e China, somadas à instabilidade política em Washington causada pelo shutdown do governo americano, aumentaram a busca por ativos de proteção.

Além disso, investidores temem que novas tarifas sobre importações de minerais estratégicos possam agravar a escassez, pressionando ainda mais o preço da prata. O cenário de juros reais baixos e déficits fiscais elevados em grandes economias reforça o apetite por metais preciosos.

Instituições financeiras internacionais já revisaram suas projeções. Grandes bancos passaram a prever que o preço da prata pode atingir entre US$ 60 e US$ 65 por onça nos próximos trimestres, impulsionado por desequilíbrios persistentes entre oferta e demanda.


Impactos e lições para o investidor
O episódio serve como alerta para os riscos de movimentos especulativos em mercados de baixa liquidez. O short squeeze demonstra como pressões localizadas podem se transformar em eventos de grande escala, afetando todo o sistema financeiro global.

Investidores que operam ativos de alta volatilidade, como metais preciosos, devem manter controle rigoroso de exposição e margem de segurança. Em mercados com oferta física limitada, o risco de movimentos extremos é elevado.

Além disso, a alta repentina da prata pode influenciar empresas de mineração, fundos de commodities e cadeias industriais que utilizam o metal — especialmente nos setores de energia solar, eletrônicos e joalheria.


Conclusão
O “short squeeze” histórico da prata em Londres mostra como desequilíbrios de oferta, movimentos especulativos e incertezas geopolíticas podem se combinar para gerar volatilidade extrema. O episódio reforça a importância de compreender os mecanismos do mercado antes de investir em ativos de alta oscilação.

Para o investidor, o recado é claro: momentos de euforia podem oferecer oportunidades, mas também escondem riscos significativos. A gestão de risco, a diversificação e o foco no longo prazo continuam sendo as armas mais eficazes diante de choques imprevisíveis como este.

Fontes: InfoMoney –