Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 18 de fevereiro de 2026

A gestora Duquesne Family Office, do investidor bilionário Stanley Druckenmiller, aumentou sua exposição ao principal ETF que acompanha ações brasileiras pouco antes da forte valorização do mercado em janeiro.
Segundo documentos regulatórios, a gestora adquiriu cerca de 3,5 milhões de cotas, equivalentes a aproximadamente US$ 112,8 milhões, do iShares MSCI Brazil ETF, fundo com patrimônio de US$ 9,1 bilhões, no trimestre encerrado em 31 de dezembro. Além disso, também comprou opções de compra do mesmo fundo, avaliadas em US$ 134,3 milhões.
O ETF, negociado sob o código EWZ, registrou valorização de 17% em janeiro, marcando o melhor desempenho mensal desde 2020. A alta foi impulsionada pela fraqueza do dólar e pela valorização das commodities, fatores que contribuíram para ganhos expressivos em ações de grande peso no índice, como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3; PETR4).
No mesmo período, a Duquesne Family Office encerrou sua posição no Global X MSCI Argentina ETF, fundo avaliado em US$ 788 milhões.
Um representante de Druckenmiller não comentou as movimentações da carteira.
Entrada de capital estrangeiro
A valorização recente da bolsa brasileira tem sido liderada por papéis de maior liquidez, tradicionalmente utilizados como porta de entrada por investidores estrangeiros.
Outro fator apontado para o aumento do apetite por risco é a expectativa de início de cortes de juros no país. A perspectiva de flexibilização monetária tem reforçado o interesse por ativos locais.
Pesquisa do Bank of America com gestores de fundos latino-americanos indica que cerca de 64% esperam que o Ibovespa ultrapasse 190 mil pontos até o final de 2026, o que representa potencial de valorização de aproximadamente 2% em relação ao fechamento observado na sexta-feira (13).
Interesse global por emergentes
O movimento ocorre em meio a um início de ano positivo para mercados emergentes, que têm recebido fluxos de capital em um contexto de diversificação global após anos de forte concentração nos Estados Unidos.
Relatório do Itaú BBA, elaborado após um roadshow por sete cidades da América do Norte, aponta aumento do interesse de investidores globais pela América Latina. Segundo os estrategistas, fundos multimercado têm buscado ampliar exposição a ações brasileiras principalmente por meio do ETF EWZ.
Visão Bolso do Investidor
Movimentos de grandes investidores institucionais costumam ser observados como sinal de tendência de fluxo internacional. A entrada de capital estrangeiro pode impactar diretamente câmbio, bolsa e custo de capital das empresas brasileiras. Para investidores locais, acompanhar o posicionamento de gestores globais ajuda a entender o ciclo de risco dos mercados emergentes e o potencial de valorização, ou reversão, dos ativos no país.
Fontes:
- InfoMoney
- Bloomberg
