Startup inaugura 1º crowdfunding tokenizado na B3 e levanta R$ 1,5 milhão para crédito com garantia em criptos

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 02 de dezembro de 2025

A Fenyx, startup especializada em crédito com garantia em ativos digitais, realizou no último dia 26 de novembro a primeira captação de participação tokenizada listada na B3. A operação foi feita no formato de crowdfunding de equity, permitindo que investidores comprassem tokens que representam contratos de investimento coletivo equivalentes a uma fatia da empresa — modelo que traz liquidez ao permitir a negociação dos ativos na plataforma digital da própria B3.

Segundo a bolsa, trata-se da primeira oferta pública de participação totalmente tokenizada com negociação subsequente, um formato que pode se tornar alternativa relevante de financiamento para negócios de menor porte. De acordo com Leonardo Rezende, superintendente de empresas da B3, seis plataformas de crowdfunding já assinaram contrato para usar a estrutura e outras 14 estão em negociação.

O mercado de crowdfunding vive forte expansão: até o terceiro trimestre deste ano, movimentou R$ 3 bilhões, quase três vezes o volume registrado no mesmo período de 2024.

Captação e valuation da Fenyx

A Fenyx ofertou 11,27% de seu capital por meio de ações tokenizadas pela Zuvia Digital Assets, empresa autorizada pela CVM e responsável pela digitalização dos ativos. A rodada levantou R$ 1,555 milhão, valor que, segundo os fundadores Lucas Montanini e Luan Rodrigues, implica valuation inicial de aproximadamente R$ 13,8 milhões para a empresa. A captação trouxe também novos investidores estratégicos do ecossistema de tecnologia e cripto.

Crédito com garantia em ativos digitais

O modelo de negócios da Fenyx é pioneiro no Brasil ao oferecer crédito a pessoas físicas e jurídicas usando criptoativos como garantia. Podem ser utilizados Bitcoin, stablecoins e até tokens que representam imóveis, direitos creditórios, fundos ou outros ativos tokenizados.

A tokenização permite que garantias ligadas a bens do “mundo real” sejam usadas sem a burocracia de cartórios e processos tradicionais, explica Montanini.

A Fenyx concede financiamentos de até 50% do valor das garantias, com taxas a partir de 1,3% ao mês — um nível considerado competitivo para o mercado brasileiro. Para mitigar riscos, a empresa mantém colchão de proteção: as garantias totais precisam equivaler a pelo menos o dobro da dívida. Caso o valor dos ativos caia, o cliente é acionado para reforçar a garantia ou amortizar parte do empréstimo.

Um sistema de inteligência artificial monitora diariamente o valor dos colaterais e dispara alertas automáticos quando a dívida atinge 70% do valor garantido.

Estrutura regulatória e operação

A Fenyx atua como originadora de crédito com ativos digitais em parceria com instituições autorizadas, já que não realiza custódia direta das garantias — função que fica a cargo de bancos ou custodians parceiros.

A empresa, porém, já prepara a solicitação de registro no Banco Central como VASP (Virtual Asset Service Provider), o que permitirá operar com custódia e negociação direta de criptoativos. Segundo Montanini, o pedido exige comprovação de capital mínimo, governança e infraestrutura tecnológica.

Os recursos para empréstimos virão de três fontes:

  • investidores via tokens emitidos pela Zuvia,
  • fundos de crédito, FIDCs, gestoras e family offices,
  • investidores internacionais por meio de plataformas descentralizadas (DEX), que permitem captação global.

Os contratos de crédito têm prazo de 12 meses, com pagamento total ao final, mas o cliente pode antecipar se desejar.

A visão dos fundadores

Montanini, que já havia criado a startup Live On — vendida ao Banco Modal e posteriormente adquirida pela XP — acredita que a tokenização tende a ocupar espaço crescente nas operações financeiras do país, unificando o mercado de ativos tradicionais e digitais.

A meta da Fenyx é atingir R$ 20 milhões em crédito lastreado por ativos digitais ao longo de 2026.


Visão Bolso do Investidor

A estreia do primeiro equity crowdfunding tokenizado na B3 é um marco para o mercado brasileiro de capitais. O modelo pode democratizar o acesso a investimentos em startups, aumentar liquidez e aproximar o ecossistema cripto do ambiente regulado da bolsa. Ao mesmo tempo, produtos com garantia em ativos digitais ampliam alternativas de crédito — mas exigem atenção à volatilidade e à gestão de riscos. É um movimento que reforça como a tokenização se torna, a cada ano, parte mais integrada do sistema financeiro nacional.


Fontes:

  • Infomoney