Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 17/10/2025

A Turbi, empresa brasileira de aluguel de carros por hora, deu mais um passo em direção à consolidação no mercado de mobilidade e ao seu futuro IPO. A startup anunciou uma captação de R$ 156 milhões, operação liderada pelo Itaú Unibanco e pela japonesa Credit Saison, com o objetivo de financiar a expansão de sua frota e reforçar sua estrutura de capital.
O movimento marca uma nova fase da empresa, que vem crescendo em ritmo acelerado, buscando equilibrar tecnologia, rentabilidade e governança para sustentar uma possível abertura de capital nos próximos anos.
Captação estratégica e expansão da frota
O valor captado será usado majoritariamente para ampliar a frota própria, atualmente com cerca de 5.800 veículos, segundo dados da companhia. A meta é atingir 7 mil carros até o fim do ano, fortalecendo a presença da Turbi em São Paulo e nas regiões metropolitanas onde já opera.
Nos últimos dois anos, a empresa registrou crescimento de 64% em frota e aumento de 35% nas receitas de aluguel no segundo trimestre de 2025 em comparação ao mesmo período do ano anterior.
O modelo de negócio da Turbi baseia-se em aluguel 100% digital e por hora, realizado via aplicativo, sem necessidade de atendimento presencial — uma solução voltada a consumidores que buscam flexibilidade e economia frente aos contratos tradicionais de locadoras como Localiza, Unidas e Movida.
Estrutura financeira e foco em governança
A emissão de notas locais — equivalente a um financiamento de médio prazo — representa uma etapa importante na estratégia financeira da startup.
Segundo o diretor financeiro Mário Liao, o aporte reforça o balanço da companhia e amplia o acesso a crédito internacional em condições mais favoráveis.
O desafio, contudo, é manter o crescimento sem aumentar demais a alavancagem. Hoje, a relação dívida líquida/EBITDA da Turbi gira entre 5 e 6 vezes, nível considerado alto, mas compatível com empresas em expansão.
Para mitigar riscos, a companhia planeja reduzir gradualmente esse índice à medida que a rentabilidade da frota evolui.
Resultados operacionais e reposicionamento
Em 2024, a Turbi faturou aproximadamente R$ 271 milhões, um avanço de 33% em relação a 2023.
A empresa também realizou venda de mais de 1.300 veículos seminovos, movimentando R$ 98 milhões e renovando parte da frota — uma estratégia de reciclagem de ativos que melhora eficiência e reduz custos de manutenção.
Outro fator determinante para o ganho de margem foi a migração para operação com frota própria, abandonando o modelo de sublocação de grandes locadoras. Essa transição reduziu custos operacionais em cerca de 60% e permitiu maior controle sobre o ciclo de vida dos veículos.
A Turbi aposta fortemente em tecnologia:
- Utiliza sistemas de Internet das Coisas (IoT) para monitorar cada veículo em tempo real;
- Oferece desbloqueio digital via aplicativo, sem necessidade de chave física;
- E opera com plataforma proprietária de gestão e manutenção preventiva.
Esses diferenciais ajudam a empresa a manter alta taxa de ocupação e reduzir ineficiências logísticas.
Desafios e cenário de juros altos
Mesmo com o ritmo forte de crescimento, o ambiente macroeconômico ainda é desafiador.
Com a taxa Selic em 15%, o custo de financiamento é elevado, o que pressiona margens de empresas intensivas em capital, como as de locação de veículos.
A Turbi, entretanto, acredita que a modernização tecnológica e a eficiência operacional permitirão manter rentabilidade acima da média do setor.
Segundo analistas, a próxima etapa natural é consolidar governança e histórico financeiro suficiente para viabilizar uma oferta pública inicial (IPO) — movimento que, no cenário atual, exigirá disciplina de capital e timing preciso.
Visão do Bolso do Investidor
A trajetória da Turbi reflete um padrão de amadurecimento observado em várias startups brasileiras: crescimento rápido seguido por uma busca por rentabilidade e estrutura de capital sólida.
O modelo de mobilidade sob demanda ainda tem grande espaço de expansão, especialmente nas grandes cidades, mas depende fortemente de crédito e de estabilidade macroeconômica.
Para o investidor, a Turbi representa um caso interessante de transformação de startup em companhia estruturada, com potencial de valorização no médio prazo caso consiga equilibrar escala e lucro.
O sucesso do IPO dependerá do comportamento dos juros, da capacidade de gestão de dívida e da manutenção do ritmo de crescimento sem comprometer margens.
Conclusão e próximos passos
O movimento da Turbi sinaliza uma nova fase para o setor de mobilidade urbana no Brasil.
Nos próximos meses, será essencial observar:
- O ritmo de expansão da frota e o controle de custos;
- A evolução da rentabilidade e do endividamento;
- As condições de crédito no mercado doméstico e externo;
- E o avanço das negociações em torno do IPO.
Se conseguir sustentar sua expansão com eficiência e disciplina financeira, a Turbi pode consolidar-se como um player de referência no mercado de aluguel de veículos digitais — e abrir caminho para novas rodadas de investimento no setor.
Fontes: InfoMoney
