Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 04 de novembro de 2025

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou nesta segunda-feira (4) a retirada da tornozeleira eletrônica do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro. Condenado a dois anos de prisão por participação na trama golpista de 2022, o militar já havia cumprido integralmente as condições do acordo de delação premiada firmado com a Polícia Federal.
A audiência de retirada foi conduzida no gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, e formalizou o encerramento das medidas restritivas impostas desde 2023. O STF reconheceu o cumprimento das obrigações do regime aberto e contabilizou o tempo em que Cid esteve monitorado eletronicamente.
Segundo a defesa, o ex-ajudante cumpriu todas as etapas previstas no acordo, incluindo depoimentos à Polícia Federal e colaboração efetiva com as investigações que apuram a tentativa de golpe.
Delação e efeitos políticos
Mauro Cid foi o único colaborador formal no inquérito que investigou a articulação golpista após as eleições de 2022. Seus depoimentos resultaram na prisão preventiva do general da reserva Braga Netto e contribuíram para o avanço das denúncias apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Jair Bolsonaro e outros sete aliados próximos.
Durante o processo, o militar detalhou as reuniões, mensagens e movimentações financeiras que teriam sustentado a tentativa de ruptura institucional. Essas informações embasaram parte das acusações que levaram à condenação de Bolsonaro e fortaleceram as ações penais ainda em curso contra ex-integrantes do governo.
Ao deixar o prédio do Supremo, Cid evitou falar com a imprensa, saindo discretamente pela garagem do tribunal.
Análise do Bolso do Investidor
O episódio marca mais uma etapa de estabilização institucional após os desdobramentos da crise de 2022. Do ponto de vista político, o encerramento do processo contra Mauro Cid representa o enfraquecimento do núcleo militar envolvido nas investigações, reforçando o papel do STF como mediador da ordem democrática.
No campo econômico, a tendência é de maior previsibilidade institucional, fator que reduz parte do risco político precificado nos ativos brasileiros desde o início das investigações. A continuidade do equilíbrio entre os poderes e a redução de tensões políticas seguem como variáveis importantes para investidores locais e estrangeiros em 2026.
Fontes: Infomoney; Stf.jus.
