Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 15 de fevereiro de 2026

A partir de março, investidores brasileiros terão acesso a um novo título público voltado ao dinheiro do dia a dia. O Tesouro Reserva, nova modalidade do Tesouro Direto, foi estruturado para facilitar a gestão de recursos de curto prazo, oferecendo rentabilidade atrelada aos juros básicos, sem oscilações de preço e com possibilidade de resgate a qualquer momento, inclusive à noite, fins de semana e feriados.
A proposta do governo é ampliar o acesso da população a investimentos mais eficientes do que a poupança, ainda a aplicação mais utilizada no país mesmo apresentando rendimento inferior a outras opções de renda fixa.
O novo papel terá características semelhantes ao Tesouro Selic (LFT), acompanhando a taxa de juros diária, porém sem marcação a mercado. Dessa forma, o investidor não verá variações negativas temporárias no saldo. Além disso, permitirá saques fora do horário atual do Tesouro Direto, hoje restrito aos dias úteis entre 9h30 e 18h.
Outra novidade será o valor mínimo: será possível investir a partir de R$ 1,00, enquanto outros títulos públicos costumam exigir valores iniciais superiores. O prazo do papel será de três anos, inferior ao das LFTs.
Alternativa para a reserva financeira
Segundo a planejadora financeira Paula Bazzo, certificada CFP pela Planejar, o título amplia as opções para o dinheiro de uso cotidiano. Atualmente, investidores utilizam principalmente três alternativas: Tesouro Selic, CDBs com liquidez diária e fundos DI.
Ao permitir resgates em qualquer horário, o Tesouro Reserva elimina uma das principais limitações do Tesouro Selic, que só pode ser resgatado em dias úteis e durante o expediente. A funcionalidade aproxima o produto do uso prático das contas bancárias e dos CDBs diários.
Saldo estável e facilidade de compreensão
Outra característica relevante é a ausência de marcação a mercado. Diferentemente do Tesouro Selic, que pode apresentar pequenas oscilações, o novo título tende a mostrar crescimento contínuo do saldo.
Para investidores iniciantes, isso pode facilitar o entendimento do investimento. A previsibilidade, segundo especialistas, contribui para a formação do hábito de poupar.
A taxa de custódia ainda não foi detalhada, mas atualmente não há cobrança para valores até R$ 10 mil em títulos do Tesouro Direto. Mesmo com eventual taxa, a remuneração tende a ser competitiva, já que CDBs com liquidez diária normalmente rendem um pouco abaixo da Selic.
Aplicações pequenas e uso cotidiano
O investimento mínimo de R$ 1,00 permitirá aportes pequenos e frequentes. A proposta é atender principalmente pessoas com menor renda, que conseguem guardar valores reduzidos ao longo do mês.
Especialistas destacam que o produto também pode ser utilizado para metas de curto prazo e para incentivar hábitos financeiros, como investir pequenas economias obtidas no cotidiano.
Comparação com outras aplicações
O Tesouro Reserva deve concorrer diretamente com o Tesouro Selic, fundos DI, CDBs com liquidez diária e até com a poupança.
Segundo Martin Iglesias, gerente de produtos de investimentos do Itaú Unibanco, o novo título terá comportamento semelhante ao de um CDB atrelado ao CDI, porém com risco soberano, considerado o menor risco de crédito do mercado.
Ele também destaca a possibilidade de resgate imediato via PIX, característica que aproxima o produto de uma conta remunerada.
Os fundos DI podem eventualmente apresentar retorno ligeiramente superior ao CDI, dependendo da gestão, mas possuem taxa de administração e incidência do come-cotas semestral. Já os CDBs diários podem oferecer remuneração próxima ao CDI, porém com risco ligado ao banco emissor, ainda que cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito até R$ 250 mil por CPF.
A poupança, por sua vez, mantém simplicidade operacional, mas apresenta rentabilidade estruturalmente inferior.
Impacto no sistema financeiro
Especialistas avaliam que o novo título pode aumentar a concorrência entre instituições financeiras. Bancos podem ser pressionados a melhorar produtos, reduzir taxas de administração de fundos conservadores ou oferecer experiências mais eficientes ao usuário.
Segundo Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest, o produto é direcionado especialmente ao investidor iniciante, que muitas vezes abandona investimentos por insegurança ao observar oscilações temporárias no saldo. A estabilidade oferecida pode ajudar na formação do hábito de poupar.
Ele afirma que o Tesouro Reserva aproxima o investimento da rotina financeira cotidiana, funcionando quase como extensão da conta corrente.
Na mesma linha, Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, avalia que o título enfrenta problemas históricos do investidor de baixa renda, como baixa rentabilidade, pouca transparência e dependência de produtos bancários automáticos. Por ser um título público federal, oferece regras claras e reduz incertezas em relação a alternativas como poupança e fundos conservadores.
Além disso, a iniciativa reforça o papel do Tesouro Direto não apenas como instrumento de financiamento do governo, mas também como ferramenta de inclusão financeira.
Visão Bolso do Investidor
O Tesouro Reserva pode representar uma mudança relevante no comportamento do investidor iniciante ao aproximar investimento e conta corrente. Produtos simples, com liquidez imediata e previsibilidade, tendem a aumentar a adesão à renda fixa e reduzir a dependência da poupança. Para o mercado, a novidade pode intensificar a concorrência entre bancos, pressionar taxas de produtos conservadores e ampliar a educação financeira ao facilitar a formação de reservas de emergência.
Fontes:
- InfoMoney
