Toffoli e Polícia Federal acumulam divergências no caso Banco Master após novas citações em investigação

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 12 de fevereiro de 2026

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que incluem menções ao ministro Dias Toffoli, relator do processo envolvendo a instituição financeira na Corte.

O conteúdo do material permanece sob sigilo. A existência das citações foi revelada inicialmente pelo UOL e confirmada pelo jornal O Globo. Após receber os dados, Fachin encaminhou a documentação a Toffoli para que o ministro se manifeste sobre a eventual existência de conflito de interesse na condução do caso. Em nota, Toffoli negou qualquer irregularidade e classificou o pedido de suspeição como baseado em “ilações”.

“O gabinete do Ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145 do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte”, informou.

Pedido de suspeição amplia tensão institucional

A Polícia Federal solicitou que fosse avaliada a suspeição de Toffoli no caso, com base nas mensagens atribuídas a Vorcaro encontradas durante a investigação. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já havia rejeitado questionamento semelhante anteriormente.

Integrantes do STF ouvidos por veículos de imprensa indicam que o episódio aumenta o desgaste institucional em torno do processo. O caso do Banco Master envolve investigações conduzidas pela PF e analisadas no Supremo sob relatoria de Toffoli.

Divergências na condução de depoimentos

Os desentendimentos entre a Polícia Federal e o ministro não são recentes. Em dezembro de 2025, durante uma acareação entre Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, houve divergência sobre a condução das oitivas.

A delegada responsável pelos depoimentos, Janaína Palazzo, discordou da intervenção do juiz auxiliar do gabinete de Toffoli, Carlos Von Adamek, que apresentou uma lista de perguntas atribuídas ao ministro. Segundo relatos, a delegada defendeu que caberia à PF conduzir os interrogatórios. O juiz auxiliar teria então acionado Toffoli, que determinou que as perguntas fossem feitas.

Durante o depoimento do diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, uma das questões da lista não foi respondida. O procurador-geral do BC, Cristiano Cozer, classificou a pergunta como “especulativa” e “vaga”.

Decisões sobre armazenamento de provas geraram questionamentos

Outro ponto de atrito ocorreu em 14 de janeiro, quando Toffoli determinou que todo o material apreendido na segunda fase da Operação Compliance Zero fosse lacrado e armazenado nas dependências do STF.

A operação resultou na apreensão de 39 celulares, 31 computadores e 30 armas, além de ter como alvos Vorcaro, familiares e outros investidores. Investigadores da PF manifestaram preocupação de que o armazenamento dos dispositivos pudesse gerar risco de perda de informações relevantes, já que aparelhos eletrônicos podem ser apagados remotamente.

Posteriormente, o ministro autorizou que a Procuradoria-Geral da República realizasse a extração e análise dos dados, permitindo ainda o acesso de quatro peritos da Polícia Federal ao material. A PF utilizou ferramentas tecnológicas, incluindo softwares estrangeiros, para quebrar senhas e acessar parte dos conteúdos armazenados nos aparelhos, embora nem todos os arquivos tenham sido recuperados integralmente.

Visão Bolso do Investidor

Investigações que envolvem instituições financeiras e decisões judiciais no âmbito do STF costumam gerar impactos institucionais relevantes, podendo afetar percepção de risco regulatório e confiança do mercado.

Para investidores, o acompanhamento de processos envolvendo bancos, órgãos de fiscalização e o Judiciário é importante, pois mudanças no ambiente jurídico e regulatório podem influenciar a estabilidade do sistema financeiro, a governança corporativa e o comportamento dos ativos ligados ao setor.

Fontes: Agência O Globo; InfoMoney