Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 4 de fevereiro de 2026

A Uber Technologies divulgou resultados do quarto trimestre com lucro abaixo das expectativas do mercado e anunciou mudanças na liderança de sua área financeira. A companhia reportou lucro líquido de US$ 296 milhões, equivalente a US$ 0,14 por ação, desempenho significativamente inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior, quando havia apurado US$ 6,88 bilhões, ou US$ 3,21 por ação.
Ao considerar o lucro ajustado, que exclui itens extraordinários, a empresa registrou US$ 0,71 por ação, abaixo da estimativa média de analistas consultados pela FactSet, que projetavam US$ 0,85. O resultado reforçou a percepção de desaceleração na rentabilidade, mesmo com avanço operacional consistente.
Receita cresce, mas rentabilidade decepciona
Apesar da pressão no lucro, a receita apresentou expansão anual. O faturamento somou US$ 14,37 bilhões no trimestre, crescimento de 20% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. O número ficou ligeiramente acima da expectativa do mercado, que estimava US$ 14,32 bilhões.
O desempenho indica que a empresa segue ampliando sua base de negócios, mas enfrenta desafios para converter o crescimento em ganhos mais robustos no resultado final.
Projeções para o início de 2026
Para o primeiro trimestre deste ano, a companhia apresentou um guidance mais conservador para o lucro ajustado, projetando ganhos entre US$ 0,65 e US$ 0,72 por ação. O intervalo está abaixo do consenso de mercado, que apontava US$ 0,75 por ação, sinalizando cautela quanto à rentabilidade no curto prazo.
Por outro lado, a Uber estima que as reservas brutas, indicador que mede o volume total de transações na plataforma, fiquem entre US$ 52 bilhões e US$ 53,5 bilhões, acima da previsão de US$ 51,39 bilhões. Esse dado sugere continuidade no crescimento da atividade operacional.
Indicadores operacionais seguem fortes
Os números de uso da plataforma mostraram expansão relevante. O total de viagens aumentou 22% no trimestre, alcançando 3,8 bilhões de corridas, enquanto a base de usuários ativos mensais cresceu 18%. As reservas brutas também avançaram 22% na comparação anual, somando US$ 54,1 bilhões.
Os dados reforçam que a demanda pelos serviços da empresa segue elevada, tanto em mobilidade urbana quanto em entregas, sustentando a expansão do negócio em escala global.
Mudança na diretoria financeira
A companhia também informou a substituição do diretor financeiro. Balaji Krishnamurthy assumirá o cargo, sucedendo Prashanth Mahendra-Rajah, que deixará a função em 16 de fevereiro. O executivo, no entanto, permanecerá na empresa até 1º de julho como assessor sênior da área financeira, apoiando a transição.
A troca no comando financeiro ocorre em um momento de ajustes estratégicos, em que o mercado acompanha de perto a capacidade da Uber de equilibrar crescimento acelerado com maior eficiência operacional.
Visão Bolso do Investidor
O resultado da Uber mostra que crescimento de receita nem sempre se traduz imediatamente em maior lucratividade. Para investidores, o caso reforça a importância de acompanhar margens, projeções futuras e eficiência operacional, além do volume de usuários. Empresas de tecnologia e plataformas digitais tendem a apresentar volatilidade maior nos lucros, especialmente em fases de expansão. Avaliar guidance, geração de caixa e gestão de custos é fundamental para entender a sustentabilidade do negócio no longo prazo.
Fontes: Estadão Conteúdo; InfoMoney
