Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 05 de dezembro de 2025

O UBS BB avalia que o ciclo de queda da taxa Selic previsto para 2026 deve reaquecer o setor financeiro e abrir espaço para uma performance mais favorável das ações de bancos brasileiros. Nesse cenário, a casa destacou três preferidos: Santander Brasil (SANB11), Bradesco (BBDC4) e XP Inc. (XPBR31).
Segundo os analistas, há consenso no mercado de que a Selic deve recuar de forma relevante no próximo ano, aproximadamente três pontos percentuais, chegando ao patamar de 12%, restando definir quando começará o ciclo de afrouxamento monetário. Para o UBS BB, esse movimento tende a gerar um impulso imediato para o setor.
Por que a queda de juros favorece os bancos
Com juros mais baixos, bancos tradicionais tendem a apresentar melhora nas margens, já que grande parte de seu funding é pós-fixado, enquanto uma parcela significativa da carteira de crédito é formada por operações prefixadas, sobretudo em crédito consignado, imobiliário e financiamento de veículos.
Além disso, juros menores costumam estimular o crescimento das carteiras de empréstimos e melhorar a qualidade dos ativos, reduzindo inadimplência. O UBS BB também aponta que a redução das taxas tende a impulsionar os resultados de tesouraria, beneficiando especialmente Santander Brasil e Bradesco.
Outro ponto relevante é o impacto no custo de capital (COE) das empresas listadas. Segundo simulações do banco, uma queda de 100 pontos-base no COE pode elevar o valor justo das ações:
– Entre 12% e 14% para bancos tradicionais
– 17% para XP e Inter
– 20% para o Nubank
Impacto sobre o investidor de varejo
Os analistas lembram que, com juros ainda elevados, muitos investidores migraram para produtos de renda fixa tradicional oferecidos pelos próprios bancos. A redução da Selic pode reverter parcialmente esse comportamento, elevando o apetite por risco e fortalecendo o fluxo para plataformas de investimento, algo que favorece, em especial, XP e BTG Pactual.
Um ciclo mais firme de inclinação para classes de maior risco também tende a trazer impacto positivo para a gestão de patrimônio dessas instituições.
Por que Santander, Bradesco e XP são as favoritas
A escolha do UBS BB combina efeitos positivos sobre tesouraria, sensibilidade ao crédito ao consumidor e exposição ao mercado de investimentos. Em resumo:
- Santander Brasil (SANB11) – Forte alavancagem operacional em ambiente de juros em queda.
- Bradesco (BBDC4) – Deve se beneficiar da normalização gradual do ciclo de crédito e da retomada da margem com o mercado.
- XP Inc. (XPBR31) – Maior beneficiária da entrada de recursos em plataformas de investimento quando o juro real começa a ceder.
As fintechs Nu (ROXO34) e Inter (INBR32) também tendem a ser positivamente impactadas, segundo o relatório, mas em menor grau quando comparadas às favoritas.
Recomendações do UBS BB para o setor (síntese)
- Bradesco (BBDC4) – Compra
- Santander Brasil (SANB11) – Compra
- XP Inc. (XPBR31) – Compra
- Itaú Unibanco (ITUB4) – Neutro
- BTG Pactual (BPAC11) – Neutro
- Nu (ROXO34) – Neutro
- Inter & Co (INBR32) – Compra
- ABC Brasil (ABCB4) – Compra
- Demais citados – Recomendação neutra
Visão Bolso do Investidor
A eventual queda consistente da Selic ao longo de 2026 pode marcar um ponto de inflexão importante para o setor financeiro. Para o investidor, isso abre espaço para movimentos estruturais: maior disposição ao risco, giro de carteira em direção à renda variável e possível valorização de bancos com forte atuação em varejo e crédito.
Ao mesmo tempo, plataformas de investimento tendem a recuperar fluxo, impulsionando empresas como XP e Inter. Em todos os cenários, a dinâmica reforça a importância de compreender como juros, crédito e apetite ao risco se conectam, especialmente em momentos de transição econômica.
Fontes:
- InfoMoney
