Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 22 de fevereiro de 2026

A Comissão Europeia afirmou neste domingo que não aceitará mudanças unilaterais nas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos após a decisão da Suprema Corte americana que anulou as taxas globais criadas durante o governo Donald Trump. O bloco também pediu que Washington apresente explicações claras sobre quais medidas pretende adotar a partir de agora.
A instituição, responsável por conduzir a política comercial em nome dos 27 países da União Europeia, reforçou que o relacionamento econômico entre as duas regiões deve respeitar os termos do acordo comercial firmado no ano anterior.
Novas tarifas geram tensão
Após a Suprema Corte invalidar as tarifas globais na sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos anunciou a criação de tarifas temporárias generalizadas de 10%. No dia seguinte, essas taxas foram elevadas para 15%.
A reação europeia foi mais dura do que a manifestação inicial feita logo após a decisão judicial, quando o bloco afirmou apenas que analisava o caso e mantinha diálogo com o governo americano. Desta vez, a Comissão Europeia declarou que a situação atual não favorece um comércio transatlântico considerado justo e equilibrado, conforme previsto na declaração conjunta assinada pelas partes. O posicionamento destaca que os termos negociados devem ser respeitados integralmente, sinalizando preocupação com a previsibilidade das relações comerciais.
Detalhes do acordo comercial
O acordo firmado anteriormente estabeleceu uma tarifa de 15% para a maior parte dos produtos exportados pela União Europeia para os Estados Unidos, excetuando itens sujeitos a regras setoriais específicas, como o aço. Também foram definidos casos de tarifa zero, incluindo aeronaves e peças relacionadas.
Como parte do entendimento, o bloco europeu concordou em reduzir impostos de importação sobre diversos produtos americanos e retirou a possibilidade de aplicar medidas retaliatórias mais duras.
Agora, a Comissão Europeia afirma que os produtos europeus devem continuar recebendo o tratamento competitivo acordado e não podem ser submetidos a aumentos adicionais de tarifas além do limite previamente definido. Segundo o bloco, mudanças imprevisíveis nas taxas comerciais prejudicam investimentos e enfraquecem a confiança nos mercados globais.
Visão Bolso do Investidor
O episódio indica aumento da incerteza no comércio internacional. A disputa tarifária entre duas das maiores economias do mundo afeta cadeias globais de produção, preços de commodities e expectativas de crescimento econômico.
Para investidores, tensões comerciais costumam impactar diretamente o comportamento dos mercados financeiros. A possibilidade de barreiras comerciais maiores pode reduzir o fluxo global de comércio, afetar empresas exportadoras e gerar volatilidade em moedas e bolsas de valores.
Países emergentes, como o Brasil, também sentem os efeitos indiretos. Alterações no comércio entre Estados Unidos e Europa influenciam demanda global, preços internacionais e o movimento do dólar, fatores que afetam inflação, juros e desempenho de ativos locais.
Fontes:Reuters; InfoMoney
