Vale é a mineradora global mais barata em bolsa, aponta JPMorgan

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 18 de dezembro de 2025

A Vale (VALE3) aparece hoje como a mineradora global mais barata em termos de valuation entre as grandes produtoras de minério de ferro, segundo relatório divulgado pelo JPMorgan. O banco reforçou a recomendação equivalente à compra para as ações da companhia brasileira, destacando seu forte potencial de geração de caixa no cenário atual de preços da commodity.

De acordo com a instituição, a Vale negocia a múltiplos significativamente inferiores aos de suas principais concorrentes globais. Enquanto as mineradoras australianas operam, em média, a cerca de 6,4 vezes o lucro projetado para o próximo ano, a Vale é negociada a aproximadamente 4,4 vezes. Quando considerados os preços à vista do minério de ferro, o desconto se torna ainda mais evidente: a empresa brasileira negocia a 3,7 vezes o lucro estimado, contra uma média de 5,2 vezes de seus pares.

O JPMorgan também chama atenção para a capacidade de geração de caixa da Vale. No cenário atual, o rendimento de fluxo de caixa livre (FCF) da companhia pode alcançar cerca de 9,8%, superando rivais como a Rio Tinto, cuja estimativa gira em torno de 6,8%. Segundo o banco, os preços spot do minério permitem que as grandes mineradoras elevem seus retornos em até 3,7 pontos percentuais frente ao cenário-base, com a Vale liderando esse movimento.

Ao analisar o potencial de revisão das estimativas de mercado, o relatório aponta que, se os preços do minério se mantiverem nos níveis atuais, o Ebitda da Vale poderia ficar cerca de 28% acima do consenso. A Fortescue aparece em situação semelhante, com possibilidade de revisão positiva de 29%. Isso indica, segundo o JPMorgan, que o mercado ainda não precificou adequadamente um cenário de minério mais estável.

Já na comparação com as projeções internas do próprio banco, Rio Tinto e BHP apresentam maior espaço para revisões positivas adicionais, enquanto Vale e Fortescue, embora sigam atrativas, têm menor margem de surpresa frente às estimativas do JPMorgan.

Mesmo com essas diferenças, a instituição reforça que a Vale permanece como a mineradora global mais barata e com um dos maiores potenciais de geração de caixa do setor. O banco revisou recentemente o preço-alvo das ações VALE3 de R$ 89 para R$ 86, mantendo a recomendação de compra.

Segundo o relatório, a companhia brasileira se beneficia de uma mudança estrutural favorável na qualidade do minério de ferro e de uma melhora consistente no mix de produtos, fatores que devem sustentar margens mais robustas e maior previsibilidade de preços nos próximos anos.

Visão Bolso do Investidor

O relatório do JPMorgan reforça um ponto recorrente no mercado brasileiro: ativos de alta qualidade continuam sendo negociados com desconto relevante em relação aos pares globais. Para o investidor de longo prazo, a Vale combina três fatores importantes, escala, geração de caixa e valuation atrativo, mas segue exposta a riscos como a volatilidade do minério de ferro e a dependência da demanda chinesa. Em cenários de carteira diversificada, o papel pode fazer sentido como ativo gerador de caixa e dividendos, desde que o investidor esteja confortável com os ciclos do setor.

Fontes: Infomoney