Venezuela vira peça central da estratégia de Trump com foco no petróleo?

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 4 de janeiro de 2026

A ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro, reacendeu um debate central nos mercados globais: a ação tem motivação política ou faz parte de uma estratégia econômica e energética mais ampla do presidente Donald Trump?

A Venezuela abriga as maiores reservas provadas de petróleo do mundo, superando Arábia Saudita e Canadá. Durante anos, essas reservas permaneceram subexploradas ou operando com baixa eficiência, em razão de sanções internacionais, colapso institucional e falta de investimentos na PDVSA.

Com a queda do regime, o mercado passa a precificar a possibilidade de uma reabertura gradual do setor energético venezuelano, agora sob forte influência americana. Para analistas, esse movimento pode redefinir o equilíbrio global de oferta de petróleo nos próximos anos.

Petróleo como eixo estratégico

Desde seu primeiro mandato, Trump defende explicitamente a ampliação da segurança energética dos EUA e o uso do petróleo como instrumento geopolítico. Ao assumir influência direta sobre um país com tamanho potencial de produção, os EUA poderiam:

  • Expandir a oferta global de petróleo no médio e longo prazo
  • Reduzir o poder de barganha da Opep+
  • Pressionar estruturalmente os preços do barril
  • Reforçar a posição americana como ator central no mercado energético mundial

Esse cenário ajuda a explicar por que o mercado passou a enxergar a Venezuela não apenas como um episódio geopolítico isolado, mas como uma nova fronteira estratégica de oferta.

Impactos para o mercado global

No curto prazo, o ataque elevou o prêmio de risco e aumentou a volatilidade do petróleo. No entanto, no horizonte mais longo, a entrada da Venezuela sob um novo arranjo político tende a reduzir o risco de escassez, fator que vinha sustentando preços mais altos nos últimos anos.

Para países exportadores, como o Brasil, isso pode significar um ambiente mais competitivo, com menor margem estrutural para preços elevados. Já para economias importadoras, a perspectiva é de alívio inflacionário no médio prazo.

O fator China e a disputa por influência

A reação da China, que exigiu a libertação de Maduro e criticou a operação americana, adiciona uma camada extra de complexidade. Pequim possui investimentos relevantes na Venezuela e vê o movimento como uma ameaça direta à sua influência energética na América Latina. Esse embate transforma a Venezuela em um ponto sensível da disputa entre grandes potências, com reflexos que vão além do petróleo, alcançando comércio, tecnologia e diplomacia global.

Visão Bolso do Investidor

Mais do que uma ação militar, o episódio sinaliza que o petróleo voltou ao centro da estratégia geopolítica global. Se confirmada a reestruturação do setor energético venezuelano sob influência dos EUA, o mundo pode caminhar para um cenário de oferta mais abundante e preços estruturalmente mais pressionados nos próximos anos. Para o investidor, o recado é claro: movimentos geopolíticos seguem moldando o mercado de commodities, e compreender essas engrenagens é essencial para decisões de longo prazo.

Fontes: Bolso do Investidor; InfoMoney