Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 20/10/2025

Introdução
A Bolívia vive uma mudança histórica. Após quase duas décadas de domínio do Movimento ao Socialismo (MAS), o país elegeu Rodrigo Paz Pereira, político de centro-direita, como o novo presidente. Com aproximadamente 54% dos votos no segundo turno, Paz derrotou o conservador Jorge “Tuto” Quiroga e marcou o início de um novo ciclo político e econômico. Sua vitória indica um redirecionamento na condução do Estado boliviano — com promessas de abertura de mercado, incentivo ao investimento estrangeiro e uma postura mais pragmática nas relações internacionais.
Quem é Rodrigo Paz e como chegou ao poder
Nascido em Santiago de Compostela, na Espanha, em 1967, durante o exílio de sua família, Rodrigo Paz é filho do ex-presidente boliviano Jaime Paz Zamora. Formado em economia e relações internacionais, ele iniciou sua trajetória política em Tarija, onde foi vereador, prefeito e senador antes de se lançar à presidência pelo Partido Demócrata Cristiano (Bolivia).
Ao longo de sua carreira, construiu uma imagem de político conciliador, defendendo uma agenda de centro reformista. Diferentemente de adversários mais radicais, Paz procurou equilibrar responsabilidade fiscal e programas sociais, defendendo um modelo que ele chama de “capitalismo para todos” — uma tentativa de unir crescimento econômico e justiça social.
Sua ascensão ocorre em meio ao desgaste da esquerda tradicional, marcada por crises econômicas, escassez de dólares, inflação e falta de combustíveis, problemas que corroeram a popularidade do MAS e abriram espaço para uma alternativa moderada.
O que propõe o novo presidente da Bolívia
Paz herda um país em situação delicada, com reservas cambiais em queda e forte dependência das exportações de gás natural. Sua equipe econômica defende uma revisão gradual dos subsídios energéticos, incentivo ao investimento privado e abertura a novas parcerias internacionais.
Entre as principais metas, estão:
- Atrair capital estrangeiro para o setor de mineração e energia, modernizando a exploração de lítio;
- Reforçar a integração regional, buscando equilíbrio entre os blocos latino-americanos e maior aproximação com Estados Unidos e União Europeia;
- Simplificar o ambiente regulatório e reduzir a burocracia, criando mecanismos de incentivo à produção local e às exportações;
- Manter programas sociais essenciais, preservando a estabilidade política durante o ajuste econômico.
A estratégia de Paz é conduzir uma transição sem choques bruscos, conciliando ajustes fiscais com diálogo político e previsibilidade. Ele promete reformas graduais e técnicas, evitando medidas drásticas que possam gerar resistência popular.
Repercussão política e desafios internos
Apesar da vitória expressiva, o novo presidente enfrentará desafios para governar. Seu partido não possui maioria no Congresso, o que exigirá negociação constante com outras forças políticas. Além disso, sindicatos e movimentos sociais próximos ao MAS prometem resistir a mudanças mais liberais.
No plano diplomático, a expectativa é de reaproximação com o Ocidente, especialmente com Washington, após anos de alinhamento da Bolívia com China, Rússia e Irã. Essa inflexão poderá trazer novas oportunidades comerciais, mas também tensões com setores mais nacionalistas.
Análise do Bolso do Investidor
A eleição de Rodrigo Paz sinaliza um ponto de inflexão na política econômica boliviana. Para investidores e observadores regionais, a mensagem é clara: o país quer reconstruir a confiança externa e recuperar o fluxo de capital. Isso pode representar oportunidades em áreas como mineração, energia renovável, infraestrutura e serviços financeiros.
No entanto, a execução das reformas dependerá da capacidade do novo governo de manter estabilidade política e controlar a inflação, sem gerar choque social. O ritmo das mudanças será o fator-chave para determinar se a Bolívia conseguirá equilibrar responsabilidade fiscal e inclusão social — combinação que o mercado vê com bons olhos, mas cuja implementação exigirá habilidade e paciência.
Para o investidor, o cenário representa risco e oportunidade em igual medida: risco pela incerteza institucional, mas oportunidade diante de um possível ciclo de modernização e integração econômica.
Fechamento e o que observar
Com a posse marcada para 8 de novembro de 2025, Rodrigo Paz inicia seu mandato sob alta expectativa. O primeiro ano será determinante para definir se o discurso de “capitalismo para todos” se traduzirá em resultados concretos. O mercado acompanhará de perto indicadores como inflação, câmbio, reservas internacionais e volume de investimentos estrangeiros.
A Bolívia entra, assim, em uma nova fase — uma que poderá redefinir seu papel na economia sul-americana. Para o investidor atento, esse é o momento de observar com cautela, mas também de identificar oportunidades que podem surgir com o reposicionamento de um país estratégico no coração da América do Sul.
Fontes: InfoMoney
