Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 11 de fevereiro de 2026

A história da DB1 Group começou longe dos holofotes do mercado de tecnologia e sem qualquer aporte de fundos ou investidores externos. Segundo o fundador e CEO Ilson Rezende, o primeiro ano do negócio foi marcado por trabalho intenso, renda inexistente e reinvestimento total de cada real gerado pela operação.
De acordo com o executivo, os sócios conciliavam a nova empresa com outros empregos enquanto utilizavam economias pessoais para financiar os primeiros projetos. A prioridade era manter a operação viva, pagar as contas básicas e transformar qualquer receita em combustível para o crescimento do negócio.
“O primeiro ano é aquele em que você trabalha, você não recebe e tenta pagar as contas”, afirmou Rezende ao relembrar o início da trajetória. Segundo ele, a empresa nasceu a partir de esforço próprio, com aportes individuais dos fundadores e foco absoluto na execução.
Fundada em Maringá, no Paraná, a companhia se desenvolveu ao longo dos anos com uma lógica de crescimento orgânico. Em vez de buscar capital externo para acelerar a expansão, a DB1 optou por reinvestir praticamente todo o resultado financeiro na própria operação, estratégia que moldou a cultura interna e a forma de gestão.
Crescimento baseado em reinvestimento e disciplina financeira
Desde os primeiros contratos, a regra foi simples: o dinheiro que entrava voltava para a empresa. Essa dinâmica permaneceu por duas décadas e, segundo o CEO, continua válida até hoje. A maior parte dos lucros segue destinada obrigatoriamente ao fortalecimento do negócio, com foco em tecnologia, pessoas e expansão internacional.
Rezende explica que o setor de software exige investimentos constantes para evoluir produtos, processos e equipes. Por isso, o crescimento sustentável foi tratado como prioridade, mesmo que isso significasse abrir mão de distribuições maiores aos sócios no curto prazo.
A disciplina financeira também permitiu que a empresa avançasse sem assumir dívidas relevantes. Em vez de acelerar a qualquer custo, a estratégia foi preservar o caixa e expandir de forma gradual, evitando riscos excessivos.
Com o passar dos anos, a decisão de não depender de capital externo deixou de ser apenas financeira e passou a ser também estratégica. O objetivo não era construir a empresa para venda rápida, mas criar uma organização duradoura, com legado de longo prazo.
Expansão internacional e nova fase
Atualmente, a DB1 registra faturamento anual próximo de R$ 200 milhões, atende milhares de clientes e conta com cerca de 800 colaboradores espalhados por diversos países. A empresa atua em 19 mercados internacionais e manteve ritmo acelerado de crescimento nos últimos anos.
Mesmo com a estrutura mais robusta, a companhia não descarta a entrada de investidores no futuro. No entanto, a eventual parceria só faria sentido se estivesse alinhada à visão de longo prazo e aos valores da organização, sem pressão por resultados imediatos ou estratégias de saída rápida.
Para Rezende, o diferencial da jornada foi a consistência. Em vez de buscar crescimento explosivo em poucos anos, a empresa foi construída como uma maratona, com decisões pensadas para atravessar ciclos econômicos e manter a saúde do negócio no tempo.
Visão do Bolso do Investidor
A história da DB1 reforça uma lição importante para quem empreende ou investe: o crescimento sustentável costuma ser menos glamouroso, mas tende a ser mais sólido.
No mercado financeiro, a lógica é parecida. Nem sempre alavancar ao máximo ou buscar ganhos rápidos é o melhor caminho. Empresas que reinvestem caixa, controlam dívidas e priorizam governança costumam atravessar crises com mais resiliência, e isso, no longo prazo, se traduz em valor para o acionista.
Para o investidor, negócios com cultura de disciplina financeira e foco em geração consistente de caixa geralmente oferecem menor risco estrutural. Em vez de apostar apenas em histórias de “crescimento acelerado”, muitas vezes vale observar quem cresce de forma constante, preservando capital e construindo vantagem competitiva ao longo do tempo.
Fontes:
- InfoMoney
