“Vou disputar meu 4º mandato”, diz Lula, confirmando candidatura para 2026

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 22/10/2025

Introdução

Em visita oficial à Indonésia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que será candidato nas eleições de 2026. O anúncio, feito em Jacarta, amplia a relevância do tabuleiro político brasileiro para os próximos dois anos e tende a influenciar expectativas de mercado, agenda econômica e discussões sobre alianças partidárias. Para o investidor, a confirmação antecipa um ciclo de maior ruído político, com potenciais impactos em percepção de risco, câmbio e ritmo de reformas.


Desenvolvimento

Lula afirmou ao presidente da Indonésia que pretende concorrer novamente ao Planalto em 2026, tornando explícita a disposição de buscar um quarto mandato não consecutivo. A declaração encerra meses de sinalizações ambíguas do próprio governo — que condicionam uma nova disputa a fatores como saúde e conjuntura política — e ocorre no contexto de uma viagem com agenda econômica e diplomática, marcada por encontros bilaterais e assinatura de acordos.

A Constituição brasileira veda mais de dois mandatos consecutivos, mas não impede candidaturas não consecutivas. Reeleito em 2022 após dois mandatos anteriores (2003–2010), Lula permanece elegível para 2026. O fator etário — ele completa 80 anos — foi relativizado pelo próprio presidente, que reforçou disposição e “energia” para um novo ciclo.

O anúncio acontece em um ambiente político que segue polarizado, porém com rearranjos importantes. Jair Bolsonaro, principal antagonista de Lula em 2022, está inelegível até 2030 em razão de decisão da Justiça Eleitoral — o que obriga o campo conservador a consolidar uma nova liderança. Nesse vácuo, nomes de governadores de grande visibilidade tornaram-se vetores naturais de oposição nacional, em especial Tarcísio de Freitas (São Paulo), além de Romeu Zema (Minas Gerais) e Ronaldo Caiado (Goiás). Paralelamente, a possibilidade de candidaturas femininas com forte capital político — como Michelle Bolsonaro — permanece em observação, sobretudo se houver convergência de apoios à direita.

Pesquisas divulgadas ao longo do ano apontam Lula na dianteira em cenários testados, embora com margem variável e sensível ao recorte de oponentes. Em levantamentos específicos, Tarcísio aparece como adversário competitivo, com desempenho mais robusto no Sudeste, enquanto outras sondagens destacam a resiliência do presidente em bases do Nordeste e entre eleitores de renda mais baixa. Em qualquer hipótese, a disputa tende a reproduzir traços de fragmentação regional e setorial, nos quais temas como emprego, renda, gastos sociais, segurança pública e custos de energia/combustíveis pesam no voto.

No plano econômico, a confirmação da candidatura se entrelaça com escolhas centrais do governo: gestão do arcabouço fiscal, trajetória de despesas obrigatórias, orientação de estatais (Petrobras, Banco do Brasil, Caixa), reformas microeconômicas e interlocução com o Congresso. A depender do tom da campanha e do desenho de alianças, o mercado poderá reprecificar cenários de trajetória da dívida, inflação e juros, além de repriorizar setores mais sensíveis a políticas públicas e regulação.


Análise do Bolso do Investidor

Para investidores, a mensagem prática é dupla. Primeiro, aumenta a probabilidade de um ciclo de volatilidade política até 2026, que tende a afetar ativos domésticos (renda variável, câmbio, juros) conforme a campanha altere percepções sobre risco fiscal e reformas. Segundo, cresce a importância de mapear cenários setoriais sob diferentes combinações de Executivo/Legislativo: consumo sensível a renda e crédito, estatais sob escrutínio de política de preços e investimentos, infraestrutura com dependência de marcos regulatórios e financiamento, e bancos expostos à dinâmica de spread e inadimplência.

Para posicionamento tático, o foco recai sobre: (i) coerência do discurso econômico do governo e da campanha; (ii) compromissos de disciplina fiscal; (iii) sinalização sobre governança em estatais; e (iv) a qualidade do adversário competitivo que emerja — fator que pode redefinir expectativas de política econômica a partir de 2027.


Fechamento — quem tende a ser o principal adversário em 2026?

Dado o cenário atual, Tarcísio de Freitas desponta como o oponente mais provável e competitivo: governa o maior colégio eleitoral do país, carrega imagem de gestor técnico, herda parte do capital político do bolsonarismo e tem projeção nacional crescente. Romeu Zema aparece como alternativa liberal com base em Minas, capaz de aglutinar o centro-direita em caso de arranjo coordenado. Michelle Bolsonaro é um ativo político relevante no campo conservador, mas sua viabilidade depende de estrutura partidária e da estratégia do PL sem a cabeça de chapa do ex-presidente. Ronaldo Caiado oferece densidade regional e experiência, porém precisa ampliar recall fora do Centro-Oeste. Em suma: se a direita se unificar cedo em torno de um nome — muito provavelmente Tarcísio — a disputa torna-se mais apertada; se fragmentar entre dois ou três postulantes, a vantagem inicial permanece com Lula.


Fontes: InfoMoney; Reuters; Associated Press; The Guardian; Al Jazeera; France 24; Jota/Quaest; AtlasIntel/Bloomberg