WEG avança após 3T25 sólido: lucro cresce, margens resistem e risco de tarifas nos EUA segue no radar

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 22/10/2025

Introdução

Depois de alguns trimestres de maior volatilidade, a WEG reportou números do 3º trimestre de 2025 que agradaram ao mercado: crescimento de lucro e receita, manutenção de margens em patamar elevado e mensagens de mitigação de riscos externos. Para o investidor, o resultado reforça a resiliência do modelo de negócios e ajuda a explicar o desempenho positivo das ações no pregão, mesmo com o pano de fundo de tarifas mais altas para produtos brasileiros nos Estados Unidos.


Desenvolvimento

A WEG apurou lucro líquido de R$ 1,65 bilhão no 3T25, avanço de 4,5% em relação ao mesmo período de 2024. O Ebitda ajustado somou R$ 2,276 bilhões, alta de 2,3% na base anual, com margem Ebitda ajustada de 22,2% entre julho e setembro. A receita operacional líquida atingiu cerca de R$ 10,27 bilhões, crescendo 4,2% na comparação anual.

Os números vieram próximos (ou ligeiramente melhores) do que o mercado projetava para lucro e Ebitda, o que, combinado à sinalização de controle de custos e execução comercial, favoreceu a leitura do investidor. Em termos operacionais, a companhia destacou a diversificação geográfica de produção e vendas como fator chave para sustentar margens, diluir pressões de custo e reduzir a dependência de um único mercado.

No front externo, as tarifas de importação dos EUA — que podem chegar a até 50% em alguns itens — permanecem como risco de curto e médio prazos para exportações oriundas do Brasil. A gestão, contudo, tem frisado que menos de um terço do que a WEG vende aos EUA é produzido em território brasileiro, o que amortece o impacto direto. Além disso, a companhia vem redirecionando parte da produção para outras geografias, ajustando cadeias de suprimento e portfólio para preservar competitividade.

Após trimestres de “turbulência” em que o papel sofreu com reprecificação setorial e ruídos macro, o combinação de crescimento moderado, margens ainda robustas e mensagem de mitigação de riscos ajudou a sustentar a alta das ações no dia do balanço.


Análise do Bolso do Investidor

O resultado do 3T25 reforça três pontos para a tese de WEG:

  1. Qualidade e resiliência — margens acima de 22% em um ambiente global mais difícil confirmam disciplina operacional e preço de produto;
  2. Diversificação como escudo — footprint produtivo e comercial espalhado por países e linhas de negócio reduz a sensibilidade a choques localizados (como tarifas nos EUA);
  3. Crescimento com eficiência — avanço de lucro e receita, ainda que moderado, mantém a percepção de execução consistente.

Por outro lado, o risco de tarifas e de um comércio internacional mais protecionista não desaparece. Se houver ampliação ou prolongamento de barreiras, o custo de reconfigurar cadeias e a competição por preço podem pressionar margens à frente. Além disso, múltiplos historicamente elevados pedem entrega contínua de crescimento e rentabilidade para sustentar o prêmio de valuation.

Para investidores posicionados, o print do 3T25 é construtivo: a empresa entregou, validou defesas contra choques externos e manteve qualidade de resultados. Para novas entradas, o foco deve estar em: trajetória de pedidos/carteira, capacidade de repasse de preços, investimentos em capacidade fora do Brasil e evolução concreta do contencioso tarifário.


Fechamento

A WEG encerra o 3T25 mostrando crescimento com margens saudáveis e um plano operacional para mitigar tarifas e manter competitividade internacional. O mercado deve observar, nos próximos trimestres, a evolução da carteira de projetos, a dinâmica de margens diante do ambiente externo e os ajustes de produção por geografia. Se a empresa seguir executando nessa cadência, a tese de longo prazo permanece sustentada — ainda que sob vigilância para eventuais apertos no comércio global.

Fontes: InfoMoney